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Integrantes do CV invadem área do PCC, batem em rivais e matam dois

Crime é mais um apontamento para disputa territorial entre duas das maiores facções do mundo

Por Heitor Mazzoco Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 fev 2026, 07h00 •
  • Na noite de quinta-feira, 19, dois integrantes do Comando Vermelho invadiram um ponto de tráfico de drogas sob o domínio do Primeiro Comando da Capital (PCC), tiraram os usuários que comprovam entorpecentes do local e renderam os rivais. Depois de seguidas agressões, três criminosos ligados à facção paulista foram levados para proximidades de um córrego e atingidos por diversos tiros — dois morreram e um sobreviveu.

    O caso evidencia a disputa por territórios entre duas das maiores organizações criminosas do mundo — com conexões em diversos países e outros grupos mafiosos, como a ‘Ndrangheta da Calábria italiana. O caso com duas mortes e uma tentativa de homicídio é investigada pela Polícia Civil de Goiás e ocorreu na cidade de Mineiros, divisa com o Mato Grosso.

    Em documento obtido por VEJA, há citação de que os supostos autores do crime “separaram os usuários de drogas em um cômodo e mantiveram os três alvos em outro ambiente, onde passaram a agredi-los fisicamente e interrogá-los com o objetivo de obter informações relacionadas à atuação da facção rival. Foi relatado ainda que, durante esse período, os autores mantinham contato telefônico com terceiros, supostamente vinculados à mesma organização criminosa. Ainda conforme as testemunhas, após as agressões e interrogatórios, os três
    indivíduos foram retirados do imóvel com mãos e pernas amarradas”.

    De acordo com documentos da Justiça goiana, dois indivíduos apontados por testemunhas como autores da invasão estão presos. Trata-se de Roque Tadeu Pires Junior, conhecido como Gringo, e Nailson Breno Rodrigues do Nascimento, o Nego.  “Todo esse histórico foi narrado por diversas pessoas que ainda estavam no local quando as equipes (policiais) realizaram o levantamento de informações. Cumpre destacar que há registro em vídeo de uma testemunha relatando a dinâmica dos fatos, além de outros relatos colhidos sob condição de anonimato. As testemunhas também foram unânimes em apontar os autores como sendo ‘Gringo’ e ‘Nego'”, diz o documento. O espaço está aberto para as defesas se manifestarem.

    Testemunhas apontaram ainda às autoridades policiais que Gringo e Nego teriam subtraído drogas do PCC para distribuir entre os usuários que estavam nas proximidades “possivelmente com o intuito de evitar reação ou delação”. Diante das informações obtidas por testemunhas, soldados da Companhia de Policiamento Especializado (CPE), da Polícia Militar de Goiás, conseguiram rastrear e encontrar Gringo e Nego na cidade de Santa Rita do Araguaia, a 90 km de Mineiros.

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    No documento que decretou a prisão dos dois acusados, a juíza plantonista Ana Paula de Lima Castro levou em consideração o fato de o crime ter sido cometido com “grave violência à pessoa, mediante a utilização de arma de fogo, com indícios de premeditação e uso de meio que impossibilitou a defesa das vítimas (pelo que consta no APF, as vítimas tiveram os pés e mãos amarrados e executadas com disparos de arma de fogo, no contexto de confronto entre facções – Comando Vermelho x Primeiro Comando da Capital). Tal modus operandi revela uma periculosidade social que exorbita a gravidade abstrata do tipo penal”.

    A atuação do Comando Vermelho em Goiás é forte. Para se ter uma ideia, na operação da Polícia do Rio de Janeiro que matou mais de 100 criminosos, ao menos 9 foram identificados como moradores do estado do centro-oeste brasileiro.

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