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Farmácia do centro de atendimento de João de Deus é interditada

Apesar de possuir alvará para manipular e comercializar remédios, Casa Dom Inácio de Loyola relalizava produção em escala industrial sem autorização

Por Estadão Conteúdo 23 dez 2018, 22h36 • Atualizado em 23 dez 2018, 22h45
  • Por irregularidades na manipulação de remédios, o governo de Goiás interditou na última sexta-feira, 21, a farmácia instalada no principal local de atendimento de João de Deus, a Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia (GO). O médium está preso acusado de abuso sexual e posse ilegal de armas de fogo.

    Apesar de possuir alvará para manipular e comercializar remédios fitoterápicos, a farmácia estava realizando produção em escala industrial sem ter uma autorização específica para isso.

    Em vistoria feita pela gerência de Vigilância Sanitária e pela Polícia Civil de Goiás, foram apreendidas na sexta-feira amostras de medicamentos e de “água mineral vendida como fluidificada”. No espiritismo, água fluidificada é como é chamada a água recebe o acréscimo de fluidos espirituais coma finalidade de cura.

    “A farmácia não é autorizada a manipular e comercializar nenhum produto que não seja fitoterápico, medicamento produzido através de plantas”, diz em nota a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás.

    Os produtos serão analisados no Laboratório de Saúde Pública Dr. Geovanni Cysneiros (Lacen-GO) e os resultados devem sair entre 15 a 30 dias. A partir daí, novas medidas poderão ser tomadas. Um relatório técnico deverá ser encaminhado ao responsável pela farmácia, com as adequações necessárias para eventual liberação do funcionamento do estabelecimento.

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    Segundo a promotora Gabriella de Queiroz, responsável pela investigação envolvendo o médium João de Deus, a vistoria na farmácia encontrou também problemas no acondicionamento de instrumentos cirúrgicos – o que não foi explicado na nota da secretaria estadual de Saúde.

    “Havia ali produção de medicamentos de forma indevida, então essa atividade foi proibida hoje, e também no que concerne a instrumentos cirúrgicos utilizados, já que o acondicionamento desses instrumentos e o local não eram apropriados, e por isso a autuação”, disse a promotora na sexta-feira, 21, ao explicar a “lacração” da farmácia.

    Segundo a promotora, não houve a proibição da venda de remédios fitoterápicos que já haviam sido produzidos. Ela afirmou também que não houve pedido de suspensão de atividades da casa Dom Inácio de Loyola.

    “Nem a Polícia Civil nem o MP visualizaram ainda a necessidade de suspensão das atividades da casa. Ali é um templo em que várias pessoas não envolvidas nesses fatos investigados pregam sua fé e sua crença. A preservação da casa enquanto um templo de fé é uma cautela nossa”, disse Gabriella de Queiroz.

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