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Deputada irmã de médico executado na Barra já tinha sofrido ameaças

Sâmia Bomfim, reeleita para a Câmara Federal em 2022, chegou a registrar um boletim de ocorrência no ano passado

Por Sofia Cerqueira
Atualizado em 5 out 2023, 12h51 - Publicado em 5 out 2023, 12h15

Líder da bancada do PSOL na Câmara ao longo de 2022, a deputada federal Sâmia Bomfim, de 34 anos, irmã de Diego Ralf Bomfim, de 35, um dos ortopedistas assassinados na madrugada desta quinta-feira (5), no Rio de Janeiro, ganhou notoriedade pelo combate a nomes da extrema direita e ao fisiologismo político em Brasília. No ano passado, a deputada, reeleita para a Câmara Federal pelo estado de São Paulo com 226.187 votos, chegou a anunciar que fora vítima de ameaças de morte. No boletim de ocorrência, registrado em agosto, Sâmia informava que havia recebido um e-mail, no qual o usuário a chamava de “vagabunda” e “parasita” e prosseguia fazendo ameaças de morte a ela, seu marido, o também deputado federal do PSOL-RJ, Glauber Braga, e ao filho do casal.

A mensagem enviada à parlamentar no ano passado vinha com o assunto “Vamos te estuprar e te matar”. E o texto, propriamente dito, dizia: “Sua servidora pública parasita vagabunda. Acha que vai continuar exercendo este cargo até de deputada federal até 2023? Nana-nina-não, sua vadia. Vamos te amarrar na frente do seu filho”. A deputada tornou público o ataque em suas redes sociais na época. A ex-deputada Manuela d’Ávila (PCdoB) também relatou ameaças na mesma semana. Na ocasião, Sâmia disse que chegou a pensar em não divulgar as ameaças, mas que depois ponderou. “Refleti que, mesmo não sendo a primeira ameaça, foi a mais grave e perversa. Muito semelhante às que foram dirigidas a Manuela d’Ávila e Duda Salabert (deputada do PDT)”, completou.

Sâmia e o marido, Glauber Braga, divulgaram uma nota em que disseram estar “devastados”. O irmão da deputada federal, Diego Ralf Bomfim, foi executado em um quiosque na madrugada desta quinta-feira 5, na orla da Barra da Tijuca, junto com outros dois médicos, Marcos de Andrade Corsato e Perseu Ribeiro Almeida. O grupo foi alvo de disparos que partiram de dentro de um carro que passava pela Avenida Lúcio Costa. Um outro médico, Daniel Sonnewend Proença, ficou ferido no atentado e está internado em um hospital da Zona Oeste do Rio. Todos participariam de um congresso internacional de ortopedia que tem início hoje.

Formada em Letras pela USP, Sâmia iniciou sua militância na universidade fazendo parte do Centro Acadêmico de Letras e do Diretório Central dos Estudantes. Desde então, também atua no movimento feminista. Sua estreia na política aconteceu em 2016, quando foi eleita a mulher mais jovem, aos 27 anos, a ocupar uma cadeira na Câmara dos Vereadores da capital paulista. Naquele ano, participou da organização das manifestações em defesa da cassação e prisão do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), então presidente da Câmara dos Deputados. Esteve à frente dos protestos contra a cultura do estupro.

Em 2018, Sâmia foi eleita a oitava deputada federal com mais votos em São Paulo, com 249.887 votos, sendo a deputada mais votada do PSOL no estado. Dois anos depois, deu à luz seu primeiro filho, Hugo, fruto de seu relacionamento com o deputado federal Glauber Braga, e se notabilizou também na defesa da maternidade como direito também das mulheres parlamentares. Antes, as deputadas em licença-maternidade eram consideradas “faltosas” nos registros da Câmara dos Deputados. Sâmia precisou requerer à Mesa Diretora da Câmara que os painéis passassem a sinalizar quando uma parlamentar está de licença após se tornar mãe, um grande avanço no reconhecimento do direito pleno à maternidade.

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