Chamado apenas pelo primeiro nome, como convém aos soberanos, o estilista italiano Valentino Garavani construiu um reinado singular. Chamado de “o último imperador”, mestre da alta-costura que desde os anos 1950 nunca parou de influenciar seus pares, ganhou relevância ao vestir primeiras-damas, estrelas de Hollywood e princesas com peças clássicas. “Viva 100 anos”, disse Jacqueline Kennedy a Valentino em 1966. A frase virou lenda porque resume o que ele representava: permanência. Lapidado nas casas parisienses de Jean Dessès e Guy Laroche, será para sempre celebrado por ter posto a moda da Itália em patamar equivalente ao das maisons francesas. Ao lado de Giancarlo Giammetti, parceiro de vida e de negócios, criou uma grife que, além de vestir a elite internacional, moldou a própria ideia de glamour. Sua estética combina linhas puras, volumes precisos e tecidos nobres, clássica sem ser rígida, luxuosa sem ostentação vazia. E, é claro, no coração do império — com valor de mercado que supera os 4 bilhões de euros — pulsa o vermelho que ele pôs nas pistas a partir de 1959, inspirado no dramatismo da ópera Carmen, de Georges Bizet. Era tom que, invariavelmente, encerrava seus desfiles, a bordo de modelos como a americana-somali Iman. “Eu sei o que as mulheres querem: ser bonitas”, disse certa vez. Em sua visão, isso não significava submissão a padrões, mas respeito ao desejo feminino de se reconhecer no espelho com força e graça. Um Valentino é, enfim, um Valentino, e muito mais não precisa ser dito. Ele morreu em19 de janeiro, em Roma, aos 93 anos.
Um homem de diálogo
Para o ex-presidente Michel Temer, de quem foi ministro da Defesa e da Segurança Pública, o pernambucano Raul Jungmann era servidor público que deveria ser espelho e padrão para seus pares. “Suas posições não eram ancoradas em nenhuma raivosidade pessoal ou ideológica. No seu horizonte estavam o interesse do povo brasileiro e do país”, escreveu Temer. Homem de diálogo, de permanente contato à direita e à esquerda, com especial predileção pelo bom senso do centro equilibrado, Jungmann foi também ministro de Política Fundiária e Desenvolvimento Agrário do governo de Fernando Henrique Cardoso. Em recente entrevista a VEJA, ele foi direto ao ponto, sem meias-palavras, ao tratar de um dos problemas seminais da sociedade: “Todos os apenados, para sobreviver dentro do sistema prisional, precisam estar associados a facções. Senão, eles correm o risco de morrer, de serem violentados, de serem torturados. Quando eles voltam para as ruas, há uma mudança: não são bandidos isolados, e agora são bandidos a serviço exatamente das facções criminosas”. Morreu em 18 de janeiro, aos 73 anos, de câncer no pâncreas.
Publicado em VEJA de 23 de janeiro de 2026, edição nº 2979







