Datas: Richard “Dick” Fosbury e Jim Gordon
O Fred Astaire do salto em altura e o baterista americano
Foi um espanto para quem acompanhava as provas de atletismo no Estádio Olímpico da Cidade do México, em outubro de 1968. Na prova do salto em altura, Richard “Dick” Fosbury, um estudante americano de engenharia civil, galalau de 1m93, correu, se aproximou do sarrafo e, em vez de tentar vencê-lo ao modo tradicional, de lado, como se as pernas fossem uma tesoura, virou de costas para a barra, arqueou o corpo e voou alto. Foi, segundo descrição em reportagem do jornal The New York Times, “como Fred Astaire dançando no teto, em algum lugar entre uma façanha física e uma piada”.
Ele superou 2m24, bateu o recorde olímpico e conquistou o ouro. Mais do que isso, revolucionou o esporte. Depois dele, o salto ao estilo “Fosbury” virou recurso compulsório, o único usado em competições oficiais — entre crianças que aprendem a modalidade, porém, o antigo modo ainda é praticado. O atual recorde mundial do salto em altura masculino é de 2m45, do cubano Javier Sottomayor, estabelecido em 1993. O das mulheres é de 2m09, da búlgara Stefka Kostadinova, de 1987. Ambos estabelecidos, é claro, com o “Fosbury”. Ele morreu em 12 de março, aos 76 anos, de linfoma.
A batida de uma geração
A lista de contribuições do baterista americano Jim Gordon para a música popular é uma coleção de ritmo e bom gosto. Gravou o álbum Pet Sounds, do Beach Boys, em 1966. Foi coautor de Layla, de 1970, com Eric Clapton, um dos maiores sucessos da banda Derek and The Dominos. Sem ele, a pegada das canções de All Things Must Pass, obra-prima pós-beatles de George Harrison, também de 1970, seria mais frágil. John Lennon não teve dúvida em pedir o acompanhamento de suas baquetas em Imagine, de 1971. A batida de Gordon em Apache, da Incredible Bongo Band, de 1972, é indelével — copiada à exaustão, mas em vão.
A genialidade musical convivia com uma toada de vida desequilibrada, com recorrentes episódios de agressões contra namoradas e amigos. Em junho de 1983, depois de semanas de comportamento mercurial, ele espancou e depois esfaqueou a mãe, de 72 anos, até a morte. Alegou ouvir vozes que o induziram ao crime. Em 1984, foi diagnosticado com esquizofrenia e condenado a prisão perpétua, com possibilidade de condicional depois de dezesseis anos. Pediu a liberdade várias vezes, o que foi negado. Gordon morreu em 13 de março, aos 77 anos, em uma clínica penitenciária — mas a notícia só foi divulgada dias depois.
Publicado em VEJA de 29 de março de 2023, edição nº 2834
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