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Datas: Paulo Roberto Costa e Jean-Jacques Sempé

O primeiro delator e o ilustrador francês

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 ago 2022, 06h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 12h29
  • O ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras de 2004 a 2012, durante os governos de Lula e Dilma Rousseff, o paranaense Paulo Roberto Costa tem lugar cativo na recente história do Brasil — mas por motivos constrangedores. Ele foi o primeiro delator da Operação Lava-Jato, deflagrada em 2014. Preso depois da descoberta de que o doleiro Alberto Youssef havia lhe dado de presente um Land Rover, ele começou a contar o que sabia, em um fio interminável que culminaria na detenção de Lula em 2018. Suas revelações, feitas em acordo de delação premiada, de modo a evitar os setenta anos de cadeia a que foi condenado, listaram pelo menos cinquenta políticos de todos os matizes, entre eles o senador Renan Calheiros (MDB-AL), os petistas Humberto Costa (PE) e Lindbergh Farias (RJ), os ex-governadores do Maranhão Roseana Sarney (MDB) e Edison Lobão (MDB), o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB), além de detalhes sobre o abastecimento clandestino da campanha da ex-presidente Dilma depois de pedido do ex-todo-poderoso do PT Antonio Palocci.

    Levado ao furacão das denúncias, Costa definiria suas atividades com desfaçatez ao dizer que chegara a um limite em sua carreira em que “a competência técnica não era suficiente para progredir, sendo necessário para ascender ao nível de diretoria um apadrinhamento político como ocorre em todas as empresas vinculadas ao governo”. Apoiado inicialmente pelo PP e pelo MDB, ele rapidamente ampliaria seus tentáculos. Ao cabo da colaboração com as autoridades, Costa se comprometeu a devolver o dinheiro que tinha no exterior. Abriu mão de 2,8 milhões de dólares em nome de familiares depositados em um banco das Ilhas Cayman e outros 23 milhões de dólares mantidos na Suíça. Reconheceria “serem todos, integralmente, produto de atividade criminosa”. Ele morreu em 13 de agosto, aos 68 anos, de câncer no pâncreas, no Rio de Janeiro.

    A arte do silêncio

    HUMOR E IRONIA - Sempé: O Pequeno Nicolau e capas para a revista americana The New Yorker -
    HUMOR E IRONIA - Sempé: O Pequeno Nicolau e capas para a revista americana The New Yorker(Luc Castel/Getty Images)

    O francês Jean-Jacques Sempé nasceu no seio de uma família pobre na região de Bordeaux. Apanhava do padrasto e era ignorado pela mãe. Adolescente, fugiu para Paris com um caderno de desenhos. De sua infância subtraída, ele diria, nasceriam as ideias para a criação das aventuras do Pequeno Nicolau — personagem criado em parceria com o escritor René Goscinny (um dos pais de Asterix), sobrevivente do Holocausto. Em narrativas bem-humoradas e traços elegantes, o menino dos livros vive as dores do crescimento na escola, as férias na praia, o nascimento do irmãozinho, a vida como ela é. Se na Europa e no Brasil Sempé esteve sempre atrelado a Nicolau, nos Estados Unidos ele conquistou fama por meio de um outro caminho — os delicados desenhos para as capas da revista The New Yorker, de cor pastel e ironia com os dramas da metrópole, sem texto algum. Podia ser um ciclista solitário na Ponte do Brooklyn, bailarinas diante de janela, entre arranha-céus, o banhista numa piscina cercada de vazio. Para o jornalista Robert McFadden, do The New York Times, Sempé criava “haicais pictóricos”. Ele morreu em 11 de agosto, aos 89 anos.

    Publicado em VEJA de 24 de agosto de 2022, edição nº 2803

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