Datas: Nelson Rodrigues Filho, Willie Colón e Robert Carradine
As despedidas que marcaram a semana
Militante do MR-8, o Movimento Revolucionário 8 de Outubro, o engenheiro e estudante de jornalismo Nelson Rodrigues Filho foi preso pela ditadura militar em março de 1972, no Rio de Janeiro — ficaria na cadeia quase oito anos. Foi torturado. “Só sobrevivi por causa do meu pai, que era muito conhecido”, disse certa vez. Nelson Rodrigues (1912-1980), dramaturgo e cronista, um dos gênios da história cultural do Brasil, era um conservador atávico, defensor do regime dos generais, e nunca escondeu sua admiração pelo presidente Emílio Garrastazu Médici. A detenção de Nelsinho, como chamavam o menino alto a não mais poder, fez o escritor mudar de ideia. Ao saber da violência a que submeteram o filho, mudou de tom. “Ele me perguntou: ‘Você foi torturado?’. Eu disse: ‘Barbaramente’. Aí caiu a ficha do velho. A partir do momento em que soube, não deixou de escrever a favor da ditadura, não podia chutar o balde, mas mudou de ênfase”, contou Rodrigues Filho. Libertado, mergulhou fundo na noite e no samba e criou um bloco de Carnaval, o Barbas, inspirado em sua lendária silhueta, nome também de um restaurante que abriu com amigos. Era um queridíssimo personagem carioca. Morreu em 25 de fevereiro, aos 79 anos.
O rei da salsa nos EUA
Antes de cantar o hit NUEVAYol, na segunda noite de show no Allianz Parque, em São Paulo, o grande nome da canção popular da hora, o porto-riquenho Bad Bunny, fez questão de homenagear o trombonista, cantor e compositor Willie Colón, que morrera naquele dia, 21 de fevereiro, aos 75 anos. Colón, aliás, é citado na canção de Bunny: “Willie Colón, me dicen ‘el malo’, ey! Porque pasan los años y sigo dando palo, vendiendo discos como cuadro de Frida Kahlo”. Com fama de arruaceiro, daí a alcunha “el malo”, o mau, ele fez da salsa um estilo de enorme sucesso nos anos 1970 e 1980 em Nova York, especialmente a partir do álbum gravado em 1978 com Rubén Blades, Siembra.
A vingança do nerd
O cinema era coisa de família. David Carradine, um de seus irmãos, fez sucesso na série Kung Fu e, depois, nos dois filmes da saga Kill Bill, de Quentin Tarantino. Um outro irmão, Keith Carradine, estourou em Nashville, de Robert Altman. O terceiro, menos conhecido, Robert Carradine, merece também ser louvado, em um papel que muitos atores gostariam de desdenhar, mas ele não. Em A Vingança dos Nerds, de 1984, era o protagonista Lewis Skolnick, meio inteligente, meio bocó, sem graça — mas que viraria um ícone cultural de toda uma geração, na gênese de uma das franquias mais populares dos anos 80. Ganhou destaque também com a série de televisão Lizzie McGuire. Lidava havia anos com transtorno bipolar. Morreu em 23 de fevereiro, aos 71 anos.
Publicado em VEJA de 27 de fevereiro de 2026, edição nº 2984





