Foi por pouco, mas não deu certo. Ao perder para a Turquia por 1 a 0, em 26 de março, pela repescagem europeia, a Romênia deixou escapar a chance de conseguir vaga na Copa do Mundo. A derrota significou o triste desfecho de uma bela carreira no futebol, a do treinador e ex-jogador Mircea Lucescu. Durante mais de uma década, além de dirigir o selecionado, ele foi treinador da equipe ucraniana do Shakhtar Donetsk. Ali trabalhou com dezenas de brasileiros e aprendeu a falar português. “Comecei a estudar ‘brasileiro’ e depois a praticá-lo, afinal, acho mais fácil colocar apenas uma pessoa para aprender uma língua do que pôr quase metade de um grupo de atletas para ter aula de russo, o que seria muito difícil”, disse certa vez.
O apreço pelo Brasil vem de 1970, quando os romenos enfrentaram a seleção tricampeã, no derradeiro jogo da fase de grupos (perderam por 3 a 2). Fez história, e ecoa até hoje, a troca de camisa de Lucescu, hábil ponta-direita, com Pelé, transmitida pela televisão — e que ainda agora ecoa pelas redes sociais. O europeu se orgulhava de nunca ter posto o uniforme do Rei para lavar. Ele morreu em 7 de abril, aos 80 anos. Passara mal logo depois da eliminação para os turcos.
Solidão com vista pro mar
“Às vezes eu quero chorar, mas o dia nasce e eu esqueço/Meus olhos se escondem onde explodem paixões/E tudo o que eu posso te dar é solidão com vista pro mar.” A letra da canção Não Sei Dançar, gravada por Marina Lima em álbum de 1991 que levava o nome da intérprete, ecoou pelas rádios e programas de televisão sem cessar — deixando meio mundo emocionado. A balada cool é de autoria de Alvin L, compositor baiano radicado no Rio de Janeiro. Tímido, sem nenhuma vocação para o estrelato, ele foi personagem fundamental da cena pop brasileira nos anos 1980 e 1990. Fez recatada fama em bandas indie como Vândalos, de pegada punk, Brasil Palace e Sex Beatles. Entre os grandes nomes, desses que tocam no rádio e no Spotify, fez sucesso com um dos hits do Capital Inicial, Tudo que Vai, em parceria com Dado Villa-Lobos e Toni Platão. Morreu em 5 de abril, aos 67 anos, de ataque cardíaco, enquanto dormia.
“A garota de ouro”
Em 1964, houve a explosão dos Beatles no programa de Ed Sullivan, na TV americana. Houve o Nobel de Química para Dorothy Hodgkin, a primeira mulher britânica a receber a láurea. Mas quem explodiu na terra da rainha de modo fenomenal foi Mary Rand, que nos Jogos Olímpicos de Tóquio ganhou a prova do salto em distância, com quebra do recorde mundial. Conquistou também a prata no pentatlo (composto por cinco provas) e o bronze no revezamento 4×100 metros. Virou símbolo de glamour e liberdade feminina, logo apelidada de “a garota de ouro”. Chegou a ser tão pop quanto Paul, John, George e Ringo. Mary morreu em 27 de março, aos 86 anos. Vivia nos Estados Unidos.
Publicado em VEJA de 10 de abril de 2026, edição nº 2990







