O início do sucesso na televisão indicava um outro caminho. Em 1964, Manoel Carlos criou o programa O Fino da Bossa, na TV Record, que revelaria ao país Elis Regina e Jair Rodrigues. Depois, levou para o palco Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa para as tardes de domingo da Jovem Guarda. Deu muito certo, até que os humores da sociedade tomassem outros rumos — e então Maneco, como era conhecido, tratou de inventar um estilo na televisão, como autor de telenovelas, em atividade que moldou com rara elegância e eficácia a partir da experiência no teatro.
Manoel Carlos levou para as telinhas um certo Brasil: o cotidiano, quase sempre dramático, por trás da cortina de simplicidade, do bairro do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde vivia. “Gosto do Leblon porque moro aqui”, costumava de dizer, com ironia. Por ele desfilavam a dezena de Helenas que povoavam suas histórias. Eram mulheres ricas que guardavam segredos e se envolviam em tragédias. As novelas mais conhecidas do autor: Baila Comigo (1981), Laços de Família (2000) e Mulheres Apaixonadas (2003). Ele morreu em 10 de janeiro, aos 92 anos, no Rio de Janeiro.
Viajando com música
É difícil definir a sonoridade e o estilo da banda americana de rock Grateful Dead, fundada em 1965 na Califórnia. No auge de sua popularidade, batia recordes de público em estádios. O grupo tratou de misturar a psicodelia com jazz, funk e country. Outra marca registrada eram as longas improvisações, que começaram a ser buriladas nas famosas festas de ácido, quando os participantes recebiam na entrada um copo de suco com LSD, na época em que a droga não era proibida. A química entre os dois guitarristas ficou famosa: Bob Weir fornecia o caminho rítmico por onde Jerry Garcia desenvolvia seus solos. Weir entrou para a trupe hippie aos 16 anos e, aos poucos, foi ganhando espaço com suas composições, como Sugar Magnolia e Truckin’, ambas de 1970. Morreu em 10 de janeiro, aos 78 anos, de câncer.
A pergunta que não cala
Atire a primeira pedra o adulto de 50 e poucos anos que, na infância, não tenha perdido o sono com o título de um livro que fazia pensar: Eram os Deuses Astronautas?. Nunca saberemos, talvez, mas era essa a ideia do escritor suíço Erich von Däniken, o criador da chamada “arqueologia alienígena”. Segundo ele, as riquezas de civilizações do passado, como a egípcia, eram frutos das visitas de ETs mais inteligentes do que nós. Os livros de Von Däniken venderam mais de 60 milhões de exemplares, traduzidos em pelo menos trinta idiomas. Ele morreu em 10 de janeiro, aos 90 anos, deixando uma pergunta que nunca quis calar, e vida que segue.
Publicado em VEJA de 16 de janeiro de 2026, edição nº 2978







