Abril Day: Assine VEJA por apenas 9,90

Datas: Jürgen Habermas e Paul Ehrlich

As despedidas que marcaram a semana

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 20 mar 2026, 06h00 • Atualizado em 20 mar 2026, 11h03
  • Atribui-se ao pensador Martin Heidegger (1889-1976) uma frase provocativa que viraria dístico: “Só é possível filosofar em alemão”. A máxima, de tão popularizada, chegou a ser usada por Caetano Veloso na canção Língua, de 1984. O filósofo alemão Jürgen Habermas é a constatação de que a badalada divisa tem um pé, ou dois, na realidade. Habermas ficou conhecido por introduzir, no início da década de 1960, a noção de “esfera pública”. Sua teoria era que a democracia surgiria e poderia continuar a existir de forma saudável se houvesse um espaço fora do controle do Estado, onde a deliberação e a troca de ideias pudessem ocorrer livremente. Esse conceito, desde então, difundiu-se por diversas áreas acadêmicas, da ciência política e história aos estudos de imprensa, gerando milhares de artigos e livros.

    Para enxergar a grandeza de Habermas é preciso ter em vista o tempo em que viveu. Como muitos de sua geração, ele foi recrutado aos 10 anos para a Juventude Hitlerista. Seu pai era filiado ao Partido Nazista. A ascensão de Hitler e a Segunda Guerra Mundial fizeram-no mergulhar nos estudos da sensatez em oposição ao mal, a comunicação como ferramenta civilizatória. “Sempre estive convencido de que existe, na vida comunicativa cotidiana, na comunicação diária, também uma espécie de impulso para dar razões, para ser mais ou menos razoável, para dar respostas às perguntas: ‘Por que você disse isso? Por que você fez isso?’”, disse em uma entrevista de 2006. Ele tinha fenda palatina e, durante a juventude, passou por diversas cirurgias para corrigi-la, com sucesso apenas parcial. Isso o deixou com um problema de fala e uma sensibilidade aguçada, como ele mesmo diria mais tarde, ao “meio de comunicação linguística, sem o qual a existência individual também seria impossível”.

    Na lida com o passado como ferramenta de construção do futuro, ele comprou briga homérica justamente com Heidegger, até então intocável, por ter aderido às ideias nazistas sem jamais pedir desculpa ou mesmo pensar sobre a triste postura. Habermas morreu em 14 de março, aos 96 anos.

    A bomba não explodiu

    FOME - Paul Ehrlich: alerta profético que, afinal, não se concretizaria como imaginou
    FOME - Paul Ehrlich: alerta profético que, afinal, não se concretizaria como imaginou (James D. Wilson/Getty Images)

    Em 1968, com o livro The Population Bomb (“A bomba populacional”), o ecologista americano Paul Ehrlich fez barulho com um alerta profético: haveria fome e escassez de alimentos dada a expansão de gente na Terra. O volume vendeu mais de 3 milhões de exemplares, e Ehrlich se transformou em um dos primeiros e mais respeitos líderes ambientalistas, quando a palavra mal existia. Contudo, muitas de suas ideias careciam de dados reais, e o tom apocalíptico logo seria criticado e revisto. Sim, há fome no mundo, e ela precisa ser condenada — mas não por excesso de pessoas. O problema é a má distribuição, as desigualdades entre as nações. Em 2004, Ehrlich faria um pequeno mea-culpa: “Algumas coisas que eu previ não aconteceram”, disse. “Por exemplo, a fome foi menos extensa do que eu (ou melhor, os agrônomos que consultei) esperava. Mas ainda é horrível, com cerca de 600 milhões de pessoas passando muita fome e bilhões subnutridas ou desnutridas.” Ele morreu em 13 de março, aos 93 anos.

    Publicado em VEJA de 20 de março de 2026, edição nº 2987

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.