A cena virou um clássico da investigação forense. Em 1995, o ex-jogador de futebol americano e ex-ator O.J. Simpson foi absolvido no processo em que era acusado de matar a facadas sua companheira, Nicole Brown, e um amigo dela, Ron Goldman. A peça que levou o júri a dúvidas foi um par de luvas pretas ensanguentadas. Segundo a promotoria, pertenciam ao réu. Coube ao cientista forense Henry Lee, chamado pela defesa, a ideia de fazer com que Simpson as colocasse em plena sala do tribunal. Não couberam. A constatação — ainda que pudessem ter encolhido, é natural — corroborou a alegação de que as provas da cena do crime tinham sido adulteradas. Lee morreu em 27 de março, aos 87 anos.
Um malvado favorito
Atire a primeira pedra o adolescente dos anos 1980 que não viu e reviu De Volta para o Futuro, clássico imperdível da Sessão da Tarde. E quem há de esquecer a figura turrona do diretor Strickland, que, numa das cenas mais conhecidas, confronta o personagem principal, Marty McFly (Michael J. Fox), flagrado caminhando por um corredor com a namorada? O tom assertivo do personagem, vivido por James Tolkan, fez dele uma espécie de malvado favorito. Como cara feia era seu segredo — ah, aquele dedo apontado para o nariz de McFly —, ele depois marcaria também uma outra produção, Top Gun: Ases Indomáveis, como o severo comandante de um porta-aviões americano, encarregado de pôr na linha o Maverick de Tom Cruise. Tolkan morreu em 28 de março, aos 94 anos.
Uma coadjuvante estelar
Não é pouca coisa a arte de construir personagens coadjuvantes no cinema, que muitas vezes são pilares fundamentais de filmes premiados e aplaudidos. A atriz americana Mary Beth Hurt era dessa estirpe. Ela ganhou relevo ao participar do filme Interiores, de Woody Allen, lançado em 1978. Ela interpretou Joey, uma das três irmãs que lidam com a depressão da mãe. As outras duas eram papéis de Diane Keaton e Kristin Griffith. “Lembro de estar muito nervosa no primeiro dia de filmagem”, disse. “Mas olhei para baixo e vi que os joelhos de Diane tremiam, e então imediatamente me acalmei. Aí pensei: ‘Todo mundo fica nervoso’.” Mary fez sucesso também em O Mundo Segundo Garp, de 1982. Ela morreu em 28 de março, aos 79 anos.
Publicado em VEJA de 3 de abril de 2026, edição nº 2989





