Nunca foi fácil rotular a banda americana Cake, fundada em 1991 na cidade de Sacramento, na Califórnia. Chamá-la de um exemplo de rock alternativo foi sempre a etiqueta mais à mão — mas o liquidificador de gêneros, na mistura de funk, ska, pop, rap e country, a faz diferente de tudo o que há por aí. Um dos responsáveis pela pegada inicial (e minimalista) do quinteto, que teve várias formações, foi o guitarrista Greg Brown. É dele a balada The Distance, um pequeno grande clássico do segundo álbum da trupe, Fashion Nugget. Brown deu o tom também de dois outros grandes sucessos do Cake — Frank Sinatra e uma versão insólita de I Will Survive, reconstruída a partir da original dançante de Gloria Gaynor. Em 1997, antes da gravação do terceiro disco da turma, pediu para sair, porque nunca foi de ficar parado. Ele e o baixista Victor Damiani começaram a tocar com a vocalista e tecladista Dana Gumbiner, formando a Deathray. Brown morreu em 7 de fevereiro, aos 56 anos, de causas não reveladas pela família.
Choque de gerações
O clássico Ensina-me a Viver, de 1971, dirigido por Hal Ashby, fez muita gente chorar com a história improvável de um jovem adulto, Harold, que começa um relacionamento com uma mulher de 79 anos, Maude, sobrevivente do Holocausto, interpretada por Ruth Gordon. Harold, em permanente crise existencial, dado a pensamentos suicidas, foi vivido com rara delicadeza por Bud Cort. Ele tinha 23 anos. A paixão é embebida de lindas canções de Cat Stevens, como Miles from Nowhere e On the Road to Find Out. Cort tinha sido descoberto por Robert Altman, que o pôs em papel secundário em M*A*S*H, de 1970, de modo a pavimentar a carreira do ator. Ele morreu em 11 de fevereiro, aos 77 anos.
Dores do crescimento
A série Dawson’s Creek, lançada em 1998 e que durou até 2003, com seis temporadas, até hoje é cultuada. Relata as dores de amores, os sucessos e fracassos de um grupo de amigos muito unidos da cidade fictícia de Capeside, no estado americano de Massachusetts, desde o ensino médio até a faculdade. Provocou imediata adesão do público o charme irrecorrível, de olhar um tanto melancólico, do personagem Dawson Leery, interpretado pelo ator James Van Der Beek. Depois do estouro inicial, ele estrelaria produções como Marcação Cerrada (1999), Regras da Atração (2002) e CSI: Cyber (2015-2016). Mas ficará para sempre como o adolescente em fase de crescimento de Dawson’s Creek. Ele morreu em 11 de fevereiro, aos 48 anos, de câncer colorretal.
Publicado em VEJA de 13 de fevereiro de 2026, edição nº 2982





