São poucos os arquitetos capazes de mudar o perfil das cidades e, por meio de obras fenomenais, inventar desenhos urbanos. Lucio Costa e Oscar Niemeyer tiraram Brasília do papel em 1960. Mikhail Eisenstein, pai do renomado cineasta de O Encouraçado Potemkin, remodelou a silhueta de Riga, a capital da Letônia, na passagem do século XIX para o XX. E houve o canadense radicado nos Estados Unidos Frank Gehry. Ao dobrar o metal como quem fazia origamis com folhas de papel, ele ergueu em Bilbao, no País Basco, no norte da Espanha, um dos mais celebrados edifícios de nosso tempo, o Museu Guggenheim, inaugurado em 1997. Coberto por superfícies de titânio curvadas em vários pontos, que lembram escamas de um peixe, do ponto de vista do Rio Nervión parece um navio atracado no cais.
Gehry, cujo nome era Ephraim Owen Goldberg — escondeu o sobrenome judaico para fugir do antissemitismo —, ergueria depois outras obras que se assemelham ao Guggenheim, talvez sem o mesmo estrondo, mas de igual namoro com o impossível, em traçados desconstruídos, peças que viajam além de seu objetivo inicial — construções para viver, trabalhar e visitar. São dele a sede da Filarmônica de Los Angeles e o Walt Disney Concert Hall, também na capital do cinema; e a Fundação Louis Vuitton, em Paris. Disse o presidente dos EUA, Barack Obama, ao condecorá-lo em 2016: “A obra de Frank nos ensina que, embora os edifícios sejam sólidos e fixos ao solo, como todas as grandes obras de arte, eles podem elevar nosso espírito”. Morreu em 5 de dezembro, aos 96 anos.
Cronista do mundano
Um dos fotógrafos mais influentes de sua geração, o britânico Martin Parr foi um cronista mordaz e bem-humorado da vida moderna, famoso pelo uso de cores saturadas e flash agressivo ao olhar para a cultura de consumo, especialmente na Grã-Bretanha. Membro da agência Magnum Photos desde 1994 e presidente do grupo entre 2013 e 2017, Parr tinha especial predileção pelo mundano, por lugares comuns. Suas séries, como The Last Resort (1983-1985), que retratava o turismo de massa e o lazer da classe média, transformaram o kitsch e o trivial em objeto de crítica social e arte. Publicou mais de 100 livros e expôs em galerias de arte de todo o mundo, como a Tate Modern. “A fotografia está maior do que nunca”, disse ele, em 2015, durante uma visita a São Paulo para acompanhar uma de suas exposições. Sua obra deixa um legado de observação perspicaz, olhar irônico entre a comédia e a melancolia das vidas mais corriqueiras. Morreu no sábado 6, aos 73 anos, em Bristol, em decorrência de um mieloma.
Publicado em VEJA de 12 de dezembro de 2025, edição nº 2974
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