Era uma quinta-feira como qualquer outra, aquele 25 de abril de 1974 em Lisboa. Celeste Caeiro chegou cedo para bater ponto no restaurante Sir, onde trabalhava. Era o dia do primeiro aniversário do estabelecimento. O dono, contudo, informou que não haveria expediente, porque havia uma movimentação estranha de soldados nas ruas e as rádios alertavam para os riscos da revolta que crescia. A Celeste — e aos outros funcionários que deram meia-volta — foi pedido que levassem embora os cravos vermelhos que enfeitavam o salão para a cerimônia cancelada. De volta para casa, no início da Rua do Carmo, na Baixa lisboeta, ela avistou um tanque e perguntou ao militar o que estava ocorrendo. Ele pediu um cigarro e nada disse. Ela ofereceu o cravo rubro, delicadamente encaixado no cano da espingarda. A mulher — então com 40 anos — passou a distribuir flores aos outros homens armados. Nascia, naquele momento, a alcunha de Revolução dos Cravos ao movimento democrático português que depôs a ditadura do chamado Estado Novo, vigente desde 1933, por imposição de António de Oliveira Salazar. Celeste morreu na sexta-feira 15, aos 91 anos, em Leiria.
A prancha como púlpito
Em 1999, o surfista Rinaldo Luiz de Seixas Pereira, cansado da falta de perspectivas na vida, fundou em São Paulo a igreja Bola de Neve, de orientação evangélica, que rapidamente atraiu jovens. O púlpito do autodenominado apóstolo Rina era uma prancha. A instituição tem hoje mais de 500 endereços em todo o país. Ele estava afastado da congregação, acusado de violência doméstica contra a mulher, a cantora gospel Denise Seixas. Morreu no domingo 17, em decorrência de um acidente de moto nas cercanias de Campinas, em São Paulo.
A revelação de um mito
Direto ao ponto: o treinador americano de origem romena Bela Karolyi revelou ao mundo a ginasta Nadia Comaneci, a adolescente franzina que reinventou o esporte, na Olimpíada de Montreal, em 1976, ao ganhar a primeira nota 10 da história, nas barras assimétricas. Karolyi — rigoroso e implacável — migraria para os Estados Unidos em 1981. Ele levaria a americana Mary Lou Retton ao topo do pódio nos Jogos de 1984. No final de sua carreira, contudo, teria a imagem manchada por fazer vista grossa aos comprovados crimes sexuais do médico Larry Nassar, que assediava as atletas. Karolyi morreu na sexta 15, aos 82 anos.
Publicado em VEJA de 22 de novembro de 2024, edição nº 2920