O escândalo de Watergate parecia adormecer, e o presidente americano Richard Nixon caminhava para a salvação. E então, em julho de 1973, um ex-assessor da Casa Branca que trabalhava na Administração Federal de Aviação, Alexander Butterfield, pôs a boca no trombone. Como assessor direto do republicano, ele foi um dos responsáveis pela instalação do sistema de gravação de conversas no Salão Oval. Ao revelar a existência da traquitana diante de um depoimento ao Senado, ele mudou o curso da prosa, ao iluminar o crime político.
Os registros revelariam o papel de Nixon no acobertamento que se seguiu ao arrombamento, em 1972, da sede do Partido Democrata no Edifício Watergate. Para evitar o impeachment pela Câmara dos Representantes, Nixon renunciou em 9 de agosto de 1974, menos de um mês depois de a Suprema Corte ter ordenado que ele entregasse as gravações relevantes ao promotor especial do caso Watergate. Butterfield acreditava ter tido participação no destino do presidente. “Eu não gostava de ser a causa disso, mas sentia que, de muitas maneiras, eu era”, disse ele em um depoimento oral de 2008 para a Biblioteca e Museu Presidencial Nixon. Nunca demonstrou arrependimento por ter ajudado a revelar a verdade, simples assim. Morreu em 9 de março, aos 99 anos.
Uma ode à iniciativa privada
O setor de infraestrutura no Brasil foi quase sempre dependente do Estado — atalho atávico para episódios de corrupção. A modernização do setor deve muito ao engenheiro Otavio Castello Branco. De bem-sucedida carreira no mercado financeiro, em 2001 ele foi convidado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, no auge do apagão, a assumir a diretoria de infraestrutura e energia do BNDES e uma cadeira no Comitê de Crise Energética. Seu trabalho naquele período lhe rende uma condecoração com a Ordem de Rio Branco e o apelido de “comendador”, entre os amigos. A experiência lhe deu ferramentas para, a partir de 2004, montar no Patria Investimentos um grupo destinado a usar o capital privado, em cuidadosos arranjos, para fazer o país crescer. “Antes, víamos um oligopólio no setor”, disse Castello Branco, numa entrevista em 2017, analisando o setor de infraestrutura brasileiro. Morreu em 8 de março, aos 67 anos, de complicações de um infarto.
Publicado em VEJA de 13 de março de 2026, edição nº 2986







