Eva Schloss sentiu a dor do ódio antissemita ainda na infância — tinha 9 anos quando, em 1938, a Alemanha nazista anexou a Áustria, seu país natal. Não demorou para que a família — de sobrenome Geiringer — perdesse a nacionalidade. Seus membros deixaram de ser alemães, com passaportes que indicavam a origem judaica. Fugiram para a Bélgica e, depois de algum tempo, para a Holanda. Em Amsterdã, ficou amiga de uma outra menina que vivia no mesmo bloco de apartamentos, uma certa Anne Frank.
A guerra as separaria. Anne, cuja vida adolescente foi descrita no mais conhecido diário daquele tempo, com 30 milhões de exemplares vendidos, morreria no campo de extermínio de Bergen-Belsen. Eva e sua mãe, Elfriede, sobreviveram aos crimes de Auschwitz-Birkenau. Com o fim do conflito, de volta ao cotidiano possível, Elfriede se casou com Otto Frank — e, dessa maneira póstuma, Eva virou irmã de Anne. Na maturidade, passaria a viver na Inglaterra, onde se casou e teve três filhas, todas dedicadas à memória dos tempos de inominável preconceito, em uma sucessão de livros em torno do tema. “Os horrores que ela suportou na infância são impossíveis de compreender, e ainda assim Eva dedicou o resto de sua vida a promover o entendimento e a bondade”, disse o rei Charles III. Em 2021, em gesto celebrado mundialmente, ela recuperaria a nacionalidade austríaca. Na ocasião, disse, emocionada: “Não podemos levar para sempre a discriminação. Os nazis já não estão entre nós e os jovens precisam ver que podemos ser amigos”. Morreu em 3 de janeiro, aos 96 anos.
O casamento da rainha
A cerimônia teve direito a um cão no altar e à exibição afinada da noiva, Marta da Silva, 39 anos, ao interpretar Minha Felicidade, um clássico, digamos assim, de Roberta Campos. Marta, a rainha do futebol, seis vezes eleita a melhor do mundo, ainda em atividade pelo Orlando Pride, da Flórida, trocou alianças com a americana Carrie Lawrence, 28 anos, já aposentada dos gramados. A brasileira celebrou o enlace com gracejos. “Nunca casei, obviamente que é uma experiência única, e que seja a última vez também. Só uma vez”, disse. A cerimônia foi realizada em 2 de janeiro, na cidade de Júpiter, na Flórida. Marta, incansável, não descarta participar da Copa do Mundo de 2027, que será realizada no Brasil.
Publicado em VEJA de 9 de janeiro de 2026, edição nº 2977







