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Daslu fecha lojas em tributo a Eliana Tranchesi

Enterro da empresária está marcado para as 15h no Cemitério do Morumby

Por Da Redação - 24 fev 2012, 10h31

O corpo da empresária Eliana Tranchesi, dona da luxuosa Daslu até o ano passado, foi velado pela manhã em uma sala do Hospital Albert Einstein, no Morumbi, Zona Sul de São Paulo. O enterro está marcado para as 15 horas no Cemitério do Morumby. No final da manhã, o hospital divulgou nota sobre o falecimento de Eliana. De acordo com o médico Sérgio Simon, responsável pelo caso, a empresária morreu em decorrência de um câncer pulmonar complicado por pneumonia. Leia também: Em carta, Eliana Tranchesi disse ter perdido esperanças Eliana morreu na madrugada desta sexta-feira, às 0h20, aos 56 anos. Em 2006, ela retirou um tumor de um dos pulmões e, desde então, passava por sessões de quimioterapia e radioterapia. A família não autorizou os médicos a darem mais detalhes sobre as circunstâncias do falecimento. Eliana deixa três filhos, Bernardino, Luciana e Marcella Tranchesi, frutos do casamento dela com o cardiologista Bernardino Tranchesi, com quem viveu por 19 anos. Os filhos seguiram a profissão da mãe e juntos comandam a grife 284, dirigida ao público jovem. O número é uma referência ao primeiro endereço da Daslu, na Rua Domingos Leme, em São Paulo. Há pouco, a Daslu divulgou uma nota de pesar. “A Daslu é um reflexo do trabalho que Eliana dispensou à marca ao longo da vida. O legado que ela deixa é o de absoluta dedicação ao trabalho”, diz o informe. “A marca continuará o seu trabalho sempre movida pela lembrança de sua garra e seus sonhos.” De acordo com a nota, as duas lojas das Daslu, no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, e no Fashion Mall, no Rio de Janeiro, estarão fechadas nesta sexta-feira em sinal de luto. Luxo e prisão – Tranchesi comandou por muitos anos a Daslu, conglomerado que se tornou sinônimo de alto luxo no Brasil e chegou a abrigar as grifes mais famosas do mundo em um suntuoso prédio neoclássico em São Paulo. Criada há 55 anos pela mãe de Eliana, Lucia Paiva, em sociedade com a amiga Lourdes Aranha, a Daslu ganhou o nome por causa do apelido de suas fundadoras: as “Lu”. Tranchesi herdou a butique de luxo após a morte de Lucia, em 1983, e mostrou talento para os negócios. Com a liberação das importações em 1990, durante o governo Collor, a empresária provocou uma reviravolta na loja, atraindo grifes internacionais e transformando a Daslu na principal referência de requinte e sofisticação no Brasil. O maior momento da empresa aconteceu em 2005, com a inauguração de uma enorme loja na Marginal Pinheiros, em São Paulo. Com 20.000 metros quadrados e estilo neoclássico, o templo de luxo abrigava mais de 60 grifes internacionais – um shopping center para a clientela endinheirada. No mesmo ano, no entanto, uma ação conjunta da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público denominada ‘Operação Narciso’ acusou a Daslu de cometer crime de sonegação de impostos em suas importações. As investigações acabaram derrubando a credibilidade e os lucros da empresa comandada por Tranchesi. Eliana teve de vender a empresa, em 2011, para o grupo Laep Investments, mas continuou trabalhando lá como funcionária. Mesmo sendo ex-dona da Daslu, ela era o símbolo do império do luxo. Julgada em março de 2009, a empresária foi condenada a 94 anos e seis meses de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, fraude em importações e falsificação de documentos. Tranchesi chegou a ficar alguns dias presa, mas foi solta por um habeas corpus.

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