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Caso Henry exclusivo: o suposto crime do advogado de Jairinho

Em mensagem de áudio, Flávio Fernandes, que atuou como assistente de acusação, admite que agora dá opinião na defesa do ex-vereador carioca

Por Ricardo Ferraz, Sofia Cerqueira
Atualizado em 18 fev 2022, 19h58 - Publicado em 18 fev 2022, 13h23

O julgamento do assassinato do menino Henry Borel, ocorrido em março do ano passado, tem sido marcado por trocas constantes nos advogados de defesa de Jairo Souza Santos, o Dr. Jairinho, acusado de ser o autor do crime, junto com a namorada Monique Medeiros, mãe do garoto. Um aspecto chama atenção: Flávio Fernandes, advogado que chegou a atuar como assistente do Ministério Público na acusação, foi contratado pela família de Jairinho para representar os interesses do ex-vereador em outro processo, em que ele é acusado de tortura contra a filha de uma ex-namorada. Agora, um áudio enviado por Fernandes a um outro advogado, o qual a VEJA teve acesso, revela que o criminalista estaria atuando também no caso Henry, o que pode configurar os crimes de tergiversação e patrocínio infiel.

Eu é que comando isso aí, porque eu fui assistente de acusação. E objetivo era eu entrar porque era assistente de acusação, o assistente de acusação que saiu do processo porque discordava dos métodos o Leniel, entendeu?”, diz Fernandes em um trecho do áudio.

O advogado trabalhou com Leniel Borel até 18 de junho de 2021, quando pediu formalmente a exclusão de seu nome do rol de advogados que representa a assistência de acusação. Fernandes, no entanto, manteve estreito contato com o pai de Henry até 22 de janeiro, quando saiu de um grupo de WhatsApp do qual fazia parte, ao lado de outros defensores. A desconfiança de que Fernandes poderia estar fazendo jogo duplo, levou Leniel a ingressar com uma representação contra o criminalista na Ordem dos Advogados do Brasil, no mês passado.

No áudio,  fica claro que Fernandes chegou a discutir pelo menos um ponto da estratégia de defesa de Jairinho: o pedido de suspeição da juíza Elizabeth Machado Louro, da segunda Vara Criminal do Rio. “Uma hora, por exemplo, eu achei… eu vc, o Telmo também, achamos que tinha que colocar a suspeição antes. Falei ontem para o Coronel [ Coronel Jairo, pai de Jairinho], mas a Flávia falou que não, que era melhor depois do Habeas Corpus. E eu entendi que ela tava certa. Eu dei meu braço a torcer, não sou dono da verdade. Eu queria a suspeição, tava p… que não entrava com a suspeição. Mas a Flávia falou um troço certo. Espera a sétima câmara, vamos tentar esgotar lá. Beleza, certinho”.

Flávia Froes e Telmo Bernardo Batista são dois dos advogados formalmente constituídos na defesa do vereador cassado. Procurado, Fernandes confirmou que o áudio era uma conversa dele com outro criminalista do caso, Lúcio Adolfo, de uma banca de Belo Horizonte. O advogado carioca disse ainda que, de fato, se reuniu com os colegas no gabinete do deputado estadual  Coronel Jairo (Solidariedade), na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Mas nega que tenha extrapolado suas funções: “Eu dei apenas uma opinião. Eram dois advogados que estão defendendo um cliente que eu atuo em outros processos. Acho que prejudica a defesa do meu cliente. Eu entendo que uma suspeição [contra a juíza do caso] pode prejudicar meu cliente nos processos monocráticos. Isso de forma alguma é tergiversação, que seria atuar nos processos”.

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Fernandes não nega a proximidade com defensores de Jairinho. No dia 21 de janeiro, às vésperas de sair do grupo de WhatsApp que mantinha com Leniel, ele publicou no Instagram uma foto em que aparece sorrindo ao lado de Telmo Batista, um dos advogados que atua hoje na defesa do ex-vereador. No áudio, ele admite a possibilidade de sofrer questionamentos da OAB, mas vê como remotas as chances de punição. “Pode vir OAB batendo em mim, pode vir Leniel querendo bater em mim porque eu tenho uma carcaça larga para enfrentar. E porque eu tenho um bom nome, 20 anos, muita reputação, entendeu?”.

Flávio Fernandes e Telmo Batista: relações próximas
Flávio Fernandes e Telmo Batista: relações próximas (reprodução/Reprodução)

Nos bastidores, comenta-se que a defesa de Jairinho está em pé de guerra. Com vários advogados constituídos, as brigas chegam a ser públicas nos autos do processo. Há dois dias, Lúcio Adolfo, informou à Justiça que ” não anuiu e tampouco teve conhecimento de nenhum dos substabelecimentos apresentados nos autos, não
condizendo com a estratégia defensiva por este advogado definida, bem como não responde pelo conteúdo dos peticionamentos”. Adolfo ficou conhecido por defender o goleiro Bruno, no caso da morte de Elisa Samúdio.

Em sua defesa, Fernandes diz que a mensagem de voz tinha ainda por objetivo impedir que Adolfo, ou outro qualquer advogado passasse a atuar no caso da suposta tortura contra a filha de uma ex-namorada: “Se alguém entrar, eu saio. E saio numa boa, não tem problema não. Eu é que comando isso aí, porque eu fui assistente de acusação. E objetivo era eu entrar porque era assistente de acusação, o assistente de acusação que saiu do processo porque discordava dos métodos o Leniel, entendeu? Aí não te falaram, você deve estar meio por fora disso”. 

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Ouça a íntegra da Mensagem:  

 

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