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Carta ao Leitor: Uma paz necessária

Harmonia de Lula com o agro trará ganhos inequívocos para a economia brasileira — e, com certeza, para a estabilidade política deste governo

Por Redação 9 jun 2023, 06h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 10h40
  • Não é segredo que uma parcela relevante dos empresários rurais olha com desconfiança para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em razão da condescendência permanente com o MST e de declarações desastradas, adjetivando o agronegócio como “fascista e direitista”. São ataques desnecessários a representantes de uma área que vem salvando a economia do país, com taxas de crescimento muito superiores às dos outros setores. O petista parece ainda se ressentir da falta de gratidão do campo pelas benesses que distribuiu nas duas Presidências anteriores e do apoio em peso dado nas últimas eleições a Jair Bolsonaro. Embora a situação seja de distanciamento, um aceno importante ocorreu na última terça, 6, em visita de Lula à Bahia Farm Show, uma das maiores feiras agrícolas do Brasil. Em tom de reconciliação, o presidente pregou a harmonia entre os produtores grandes e pequenos, reforçou o respeito ao meio ambiente e prometeu uma robusta nova temporada de crédito rural.

    Essas sábias palavras foram recebidas com aplausos, mas também circularam nas redes vídeos do mesmo evento com uma parcela do público xingando o presidente, sinal de que é preciso fazer ainda muito mais para alcançar a paz no campo — uma fonte diferenciada de divisas, produção de riqueza e de índices positivos na balança comercial brasileira. Quarto maior produtor de alimentos do planeta, o país lidera rankings internacionais de exportação de soja e de carne bovina. É exemplo temido e admirado pelos competidores por sua alta capacidade de inovação, que potencializa as privilegiadas condições naturais.

    As sementes dessa impressionante performance do agro começaram a ser lançadas lá atrás, com ajuda da criação da Embrapa e da adoção de técnicas inovadoras que catapultaram a produção do setor, responsável hoje por 10% do PIB. Ao longo dos anos, essa força econômica foi se transformando também em poder político, tendo como maior expressão disso a crescente influência da Frente Parlamentar da Agropecuária. Coesa, bastante concentrada nos seus objetivos, ela se tornou o maior e mais organizado bloco do Congresso, com capacidade para mobilizar 300 deputados e quarenta senadores em defesa de suas pautas prioritárias.

    Nem todos os interesses dessa turma são razoáveis, é verdade, tendo em vista que convivem no campo os chamados “agrotrogloditas”, donos de uma visão ultrapassada que inclui a defesa de ideias descabidas, como a do relaxamento das licenças ambientais, e empresários com visão moderna, totalmente adaptada às necessidades de produção sustentável. Há, de fato, um longo caminho para a depuração desses dois grupos, mas as palavras de Lula na Bahia Farm Show podem dar uma contribuição fundamental, caso se materializem em movimentos para desarmar os ânimos mais exaltados no campo e em novas políticas que ajudem a evolução do agronegócio brasileiro. Isso trará ganhos inequívocos para a economia brasileira — e, com certeza, para a estabilidade política deste governo.

    Publicado em VEJA de 14 de Junho de 2023, edição nº 2845

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