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Carta ao Leitor: Uma ode à democracia

A incômoda lembrança dos ataques assustadores do 8 de janeiro é um modo de evitar que a estupidez se repita

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 4 jan 2024, 17h32 | Atualizado em 4 jun 2024, 09h43

Há exato um ano, em 8 de janeiro de 2023, o Brasil viveu um dos mais vergonhosos episódios de sua história. Depois de quatro décadas de redemocratização do país, uma horda terrorista depredou os edifícios dos três poderes, em Brasília. A turba — dita patriota, apoiadora do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas obtusa e irresponsável — protestava contra a eleição de Lula, em pleito evidentemente acatado pelo Legislativo e pelo Judiciário, porque assim funciona o estado de direito. Descobriu-se, após imediata investigação, ter havido algum grau de planejamento e tolerância das forças de segurança do Distrito Federal. Repetiam-se, como farsa, os estragos do Capitólio promovidos pelos pares de Donald Trump contra a escolha de Joe Biden.

A tragédia brasiliense foi um momento de triste memória, movido por cidadãos alimentados pelo ódio, o resultado mais nocivo da polarização que há pelo menos uma década emoldura o cotidiano dos brasileiros — na política, sem dúvida, mas também em outros escaninhos da sociedade, nas relações familiares, nos gostos artísticos, nas escolhas individuais. A incômoda lembrança daquela jornada assustadora é um modo de evitar que a estupidez se repita.

Naquele movimento insano, um dos alvos prediletos foi a sede do Supremo Tribunal Federal, o STF. Poucas pessoas personificam com tanta firmeza o órgão quanto o ministro Alexandre de Moraes, indicado pelo ex-presidente Michel Temer. Moraes recebeu o diretor de redação de VEJA, Mauricio Lima, para a mais completa entrevista em torno da tentativa de golpe daquele domingo raivoso. A conversa de mais de uma hora aconteceu na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido por Moraes — o TSE, aliás, foi quem tornou Bolsonaro inelegível por oito anos, em decorrência de uma reunião com embaixadores na qual o então candidato à reeleição acusou de fraude o sistema eletrônico de votação. Moraes conta ter sido descoberta, com sobejas confirmações, a presença de 200 homens ostentando balaclavas e com plantas detalhadas dos prédios atacados. Diz seguir preocupado e atento para não deixar crescer o ovo da serpente. Sabe ser fundamental manter a vigilância, especialmente nas redes sociais, a ágora a alimentar a destruição. Revela ter sofrido ameaças, inclusive de morte. Redobrou a segurança da família, mas vai em frente na batalha contra o obscurantismo.

A postura de Moraes, na liderança do STF, assim como a do Congresso e a do Executivo, de manutenção da integridade e da força das instituições — em resposta ao horror —, também representa capítulo extraordinário, mas positivo: o da vitalidade de uma nação forte o suficiente para manter-se no caminho da normalidade, apesar das crises, apesar da desigualdade social, apesar da discórdia desnecessária. Os tolos do 8 de Janeiro estão sendo julgados e condenados pelos crimes cometidos. Vale sempre ficar com uma das mais agudas frases do britânico Winston Churchill, proferida em 1947, pouco depois do fim da II Guerra Mundial: “A democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as demais formas que têm sido experimentadas ao longo da história”.

Publicado em VEJA de 5 de janeiro de 2024, edição nº 2874

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