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Carta ao Leitor: Um ano bem difícil

VEJA espera que em 2023 o Brasil e o mundo melhorem — com saúde, sem guerras, e com zelo pelas contas públicas

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 dez 2022, 06h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 10h56
  • “Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos. Foi a idade da sabedoria, foi a idade da tolice. Foi a época da fé, foi a época da incredulidade. Foi a estação da luz, foi a estação das trevas. Foi a primavera da esperança, foi o inverno do desespero.” As primeiras linhas do seminal romance Um Conto de Duas Cidades, de Charles Dickens (1812-1870), seriam uma epígrafe adequada e melancólica para o ano de 2022, em doze meses que oscilaram como um pêndulo, talvez como nunca antes na história recente da humanidade.

    Começou com os bons ventos da ampla vacinação contra a Covid-19, atalho cientificamente comprovado para o fim da pandemia, que já dura mais de dois anos — e, de fato, os resultados esperados foram sobejamente alcançados, com queda do número de casos e mortes. Contudo, não é possível ainda dizer que a crise sanitária tenha sido 100% superada, com novas cepas e a retomada do uso de máscaras em muitas situações do cotidiano, no Brasil inclusive. Mas a humanidade já sabe como combater a doença (ainda que alguns desinformados insistam em renegar a imunização).

    Talvez não tenha aprendido, infelizmente, a lidar com as guerras. Em fevereiro, a Rússia invadiu a Ucrânia. E o que parecia um combate de apenas alguns dias, talvez semanas, do ponto de vista do poderio bélico russo, ainda hoje se arrasta, com sangue a correr, ao bel-prazer da autocracia de Vladimir Putin. Entre o vírus e as bombas, o mundo caminhou trôpego. Por aqui, para tornar o ambiente ainda mais dramático, havia uma eleição para decidir o caminho do Brasil nos próximos quatro anos, entre Jair Bolsonaro e Lula, o presidente eleito. Foi um embate mercurial, retrato da polarização que fere o país há muitos anos — como se não pudesse haver bom senso. Apesar da vantagem apertada no segundo turno, houve um vencedor, e o resultado precisa ser respeitado por todos. É assim que funciona numa democracia. Portanto, a coleção de bobagens contra as urnas eletrônicas (um dos mais eficientes sistemas criados por brasileiros), somada aos ataques indevidos contra o Supremo Tribunal Federal, deve ser repelida à exaustão.

    O que precisa ser discutido, com calma, inteligência e ponderação, contudo, é o que teremos pela frente em uma nação tão desigual, com fosso abissal entre os mais ricos e os mais pobres. Cabe mergulhar com sabedoria na trilha da futura política econômica. Os primeiros passos de Lula, ao montar o ministério, são preocupantes — como se namorasse o desastre promovido no tempo de Dilma Rousseff, com um Estado inchado e gastador. A verdade é que não precisamos reinventar a roda. A solução existe e passa basicamente pela responsabilidade fiscal, um fator que desencadeia um círculo virtuoso que culmina na geração de empregos e no crescimento econômico. Mas ainda há tempo para correção em um governo que nem sequer teve início.

    VEJA espera que em 2023 o Brasil e o mundo melhorem — com saúde, sem guerras, e com zelo pelas contas públicas. Seguiremos vigilantes, com jornalismo profissional e cuidadoso — criticando o que precisa ser criticado e elogiando os bons passos, como sempre fizemos, em mais de cinquenta anos de existência. Feliz Natal.

    Publicado em VEJA de 28 de dezembro de 2022, edição nº 2821

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