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Carta ao Leitor: Avanço real

Mulheres representam a esmagadora maioria entre as vítimas de assédio sexual e números mostram que, de forma corajosa, elas não estão mais dispostas a se calar

Por Redação 13 fev 2026, 06h00 •
  • Na manhã da última terça, 10, o Superior Tribunal de Justiça afastou de suas funções o ministro Marco Buzzi. Dos 33 magistrados, 27 estiveram presentes na sessão extraordinária e tomaram a decisão de forma unânime. Foi uma consequência direta de um caso trazido a público pelo editor-executivo Robson Bonin, responsável pela coluna Radar de VEJA. Na semana passada, o jornalista publicou em primeira mão a notícia de que Buzzi era alvo de um movimento de indignação dentro do STJ, provocado por uma grave denúncia. Ele teria avançado, em uma praia de Santa Catarina, sobre uma estudante de 18 anos, filha de uma advogada com bom trânsito na Corte. Dias depois, novamente com exclusividade, Bonin revelou que há outra investigação em curso relacionada a assédio sexual envolvendo o mesmo juiz. Ela está sendo tratada no Conselho Nacional de Justiça de forma sigilosa.

    Buzzi divulgou nota à imprensa se declarando inocente e agora é preciso esperar o fim da apuração, delicada e complexa pela natureza desse tipo de crime. Na maior parte das vezes, como não há testemunhas, o relato das vítimas tem um peso enorme e é considerado a principal prova. Isso não exclui a possibilidade de existência de denúncias falsas, embora os especialistas no tema digam ser algo raro de acontecer. Cabe aos juízes a desafiadora tarefa de aplicar a lei com rigor e, ao mesmo tempo, tomar o cuidado de não condenar inocentes. Os tribunais brasileiros estão cada vez mais diante dessa tarefa, como mostra a reportagem da edição, de autoria dos repórteres Duda Monteiro de Barros e Flávio Monteiro. No ano passado, a Justiça do Trabalho registrou um aumento de 41% em ações por assédio sexual, totalizando mais de 10 000 processos.

    As mulheres representam a esmagadora maioria entre as vítimas e esses números mostram que, de forma corajosa, elas não estão mais dispostas a se calar. Na esteira desse bem-vindo movimento, departamentos de compliance das empresas se estruturaram para receber queixas desse tipo, e manuais de conduta dentro dos escritórios passaram a abordar com clareza e transparência o problema. Ao longo das últimas décadas, VEJA tratou com destaque em várias matérias essa luta e as mudanças provocadas pela pressão da sociedade. O aumento de ações na Justiça registrado no ano passado ainda é pouco perto do universo de 35% de mulheres que afirmam ter sido assediadas — mas, sem dúvida, é um grande avanço em relação ao silêncio absoluto de antes.

    Publicado em VEJA de 13 de fevereiro de 2026, edição nº 2982

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