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Beltrame considera acionar Exército para protestos no Rio

Em entrevista coletiva, o secretário estadual de Segurança Pública também afirmou que qualquer abuso comprovado da Polícia Militar vai ser punido

Por Cecília Ritto e Pâmela Oliveira Atualizado em 10 dez 2018, 11h20 - Publicado em 21 jun 2013, 13h57

Um dia depois do protesto que transformou em caos o Centro do Rio de Janeiro, o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, não descarta acionar o Exército para conter a ação de vândalos nos próximos protestos. “O Exército já está no Rio de Janeiro – não em função dos episódios, e sim da Copa das Confederações. Eles têm ações específicas, mas se for necessário, não serei eu que deixarei de tomar essa providência”, afirmou, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira, ao lado da chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, e do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Erir Ribeiro.

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Beltrame ainda ponderou que é preciso reavaliar a “expressão minoria”, usada constantemente para se referir aos vândalos que assumem o controle ao fim dos protestos. “Eu não sei se uma minoria produziria o Rio que amanheceu hoje (sexta-feira)”, disse, referindo-se à destruição observada em especial na Avenida Presidente Vargas, tomada por cerca de 300.000 pessoas na noite de quinta, segundo cálculos da Coppe/UFRJ. “Todos queremos democracia. Mas, no momento em que você mistura isso com quebradeira, o braço do estado, que é a polícia, tem que agir. E isso não é bom para nenhum dos lados.”

O secretário afirmou, porém, que qualquer abuso comprovado por parte da Polícia Militar será punido. O comandante da PM comentou a ação dos policiais na região da Lapa, onde bares e lanchonetes viraram refúgio até para quem passeava pelo local no fim da noite. “Lamentamos imensamente que pessoas indefesas dentro de determinados locais tenham sido atingidas, mas havia a necessidade de recuperar a ordem.” Ribeiro também pediu que os manifestantes bem intencionados façam o possível para se distinguir dos baderneiros. “Não use máscara, nem disfarce. Procure se afastar daqueles que estão promovendo qualquer tipo de ato de vandalismo.”

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Apesar da baderna generalizada, somente oito pessoas foram detidas em flagrante na manifestação – em geral, por furto qualificado e depredação. Três deles são menores de idade e um deles carregava uma granada, detalhou Martha Rocha, complementando que imagens de câmeras de segurança e reportagens de TV devem ser analisadas para que se identifiquem outros envolvidos em cenas de destruição do patrimônio público. “A Polícia Civil identificou duas pessoas envolvidas em atos de vandalismos durante o ataque à Assembleia Legislativa, na segunda. Um deles é um homem, mora em Itaboraí e tem passagem pela polícia por agressão a guardas municipais”, informou.

Prefeitura – Enquanto a cúpula de Segurança comentava os confrontos entre manifestantes e polícia, o prefeito Eduardo Paes contabilizava os prejuízos na capital. Foram mais de 580 equipamentos ou objetos públicos totalmente destruídos no Centro da capital. O balanço, divulgado também em coletiva de imprensa, aponta ainda para a depredação de parte do Sambódromo, além do incêndio provocado no vizinho Terreirão do Samba, que recebe shows e tem sido ponto de encontro da torcida brasileira durante a Copa das Confederações. Além dos danos materiais, 62 pessoas ficaram feridas em confrontos entre os próprios manifestantes e também com a polícia – oito são guardas municipais. Todos foram encaminhados ao Hospital Municipal Souza Aguiar.

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O rastro de destruição no Rio

98 semáforos

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31 placas de trânsito

62 abrigos de ônibus

5 relógios de ruas

46 placas de identificação de ruas

340 lixeiras

7 carros de guardas municipais

Além de uma série de lojas, prédios comerciais e outros edifícios que foram pichados ou depredados e ainda não estão contabilizados

Repetindo que considera legítimas todas as manifestações democráticas, o prefeito repudiou o rastro de depredação deixado pelos vândalos. “A cidade não precisa ser destruída para se manifestar uma opinião. É inaceitável que se deprede qualquer coisa. O vandalismo não pode ser o protagonista desses atos”, declarou, lembrando os episódios semelhantes ocorridos em outras cidades – como Brasília, onde um grupo tentou invadir o Palácio do Itamaraty e um princípio de incêndio teve de ser controlado. “Todos têm o direito de se manifestar, mas o que precisa ter limite é esse absurdo que se viu em todo o país.”

Paes lembrou ainda que o Rio de Janeiro sempre teve presença marcante no histórico de manifestações do Brasil, como as Diretas Já, mas ressaltou que não há no passado cenas de vandalismo como as registradas nos últimos dias. “Não tenho dúvida nenhuma de que a maior parte das pessoas que foi às ruas buscava garantir essa tradição da cidade. Mas, infelizmente, a gente não pode deixar de ressaltar que esses grupos – que são sim uma minoria – acabam marcando o movimento de forma negativa.” Ele garantiu ainda que a prefeitura continuará dando o apoio necessário para que esses atos transcorram da melhor forma possível.

Vídeo de VEJA mostra o momento em que o Terreirão do Samba é incendiado:

Sandra Moretenson, de 56 anos, conta a VEJA como foi a ação dos vândalos:

https://www.youtube.com/watch?v=xTNwBzlsMhE

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