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Ato contra o golpe de 1964 termina em conflito com a PM

Manifestantes jogaram tinta vermelha nos policiais, simbolizando sangue. Tropa respondeu com bombas de efeito moral

Com maioria de estudantes, um ato de “descomemoração” dos 50 anos do golpe militar, convocado por centrais sindicais, movimentos sociais e partidos políticos reuniu cerca de 400 pessoas no centro do Rio, no fim da tarde desta terça-feira. O ato terminou em conflito com a PM. Acompanhados por mais de 50 policiais, os manifestantes caminharam pela Avenida Rio Branco até a Cinelândia, repisando o trajeto das manifestações de resistência nos anos 60, 70 e 80. Em frente ao Clube Militar, houve o embate com policiais. Manifestantes jogaram tinta vermelha nos policiais, simbolizando sangue, e eles responderam com bombas de efeito moral.

Também na Cinelândia, a Anistia Internacional Brasil lançou, mais cedo, a campanha “50 Dias Contra Impunidade”. O objetivo é colher assinaturas online em apoio à revisão da Lei de Anistia, de1979, para que os agentes de Estado que cometeram crimes durante a ditadura militar possam ser punidos. Voluntários em outras cidades brasileiras como Brasília, São Paulo, Goiânia (GO), Belém (PA), Dourados (MS) e Porto Alegre (RS) também se organizam para expandir a ação pelo país.

Na praça, a organização colocou 20 placas que representavam o escudo e a bota do Exército. Nelas estavam escritos fatos que marcaram a ditadura militar como “1970: Criação do DOI-Codi e de outros centros de tortura” e “1981: Atentado do Riocentro”. A ação, no entanto, não apresentará uma proposta para mudança da lei. “Vivemos em um estado democrático, com legislação avançada de proteção dos direitos humanos. Por isso mesmo que não é possível que prevaleça, por um lado, a impunidade dos crimes contra a humanidade cometidos por agentes do Estado na ditadura, e, por outro, a repetição e a recorrência de crimes parecidos no presente”, alertou o diretor da Anistia Internacional Brasil, Átila Roque.

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(Com Estadão Conteúdo)