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Aids exige resposta médica, mas o problema é antes de tudo ético, diz o Papa

Por Por Jean-Louis DE LA VAISSIERE 19 nov 2011, 10h32

A Aids exige uma resposta médica e farmacêutica, mas isso não é suficiente, porque o problema é, antes de tudo ético, diz a Exortação Apostólica para a África, assinada pelo Papa Bento XVI, neste sábado, na cidade de Ouidah, em Benin.

O documento diz que o combate à doença exige mudanças de comportamento, e defende a abstinência sexual, rejeitando a promiscuidade.

“O texto representa uma espécie de mapa do caminho para a Igreja do continente nas próximas décadas, apresentando as conclusões do sínodo africano de 2009. Será entregue domingo aos bispos do continente, reunidos em Cotonou, no terceiro e último dia da visita a Benin.

O documento pede que os católicos do continente se posicionem com firmeza sobre a reconciliação, a defesa da família e a boa governança.

Antes da viagem a Ouidah, o Papa Bento XVI, que realiza a segunda viagem à África de seu pontificado, denunciou, neste sábado, a corrupção no mundo, considerando que poderá acarretar “reações muitas vezes violentas”, e pediu aos dirigentes africanos que não privem seus povos da “esperança”.

O Papa falou sobre o assunto no palácio presidencial de Cotonou, capital econômica de Benin, depois de ter iniciado na tarde de sexta-feira visita de três dias ao pequeno país da África Oriental, terra do vodu e de fé católica.

“Neste momento, há muitos escândalos e injustiças, muita corrupção e avidez, desprezo e mentiras, muita violência que conduz à miséria e à morte”, declarou o Papa.

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Esses males afligem a África “e o restante do mundo”, destacou no pronunciamento para mais de mil pessoas reunidas num imenso hall decorado com tecidos amarelos e brancos. Estavam, entre elas, líderes políticos, diplomatas e representantes de outras religiões, entre elas o vodu.

“Cada povo quer compreender as escolhas políticas e econômicas que são feitas em seu nome. Ele vê manipulação, e a reação é às vezes violenta”, alertou Bento XVI.

“Desta tribuna, faço um apelo a todos os dirigentes políticos e econômicos dos países africanos e dos demais. Não privem seu povo da esperança! Não amputem o futuro mutilando o presente!”, lançou.

No discurso deste sábado, Bento XVI também fez referência à Primavera Árabe, observando que “nos últimos meses, numerosos povos manifestaram desejo de liberdade, de segurança material, e de vontade de viver em harmonia com diferentes etnias e religiões”.

Também defendeu um diálogo entre as religiões sem “confusão” nem “sincretismo”.

“Nenhuma religião, nenhuma cultura pode justificar o apelo ou o recurso à intolerância e à violência”, afirmou.

Em seguida, partiu para Ouidah, a 40 km de Cotonou, centro do vodu e local de forte presença do catolicismo de Benin.

Após ter sido recebido calorosamente na sexta-feira por milhares de fiéis, em Cotonou, o pontífice pediu, numa prece a Maria, na catedral, que sejam realizadas “as mais nobres aspirações dos jovens da África, com os corações sedentos de justiça, de paz e de reconciliação”.

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