Advogado confirma morte de ‘Sicário’ de Vorcaro
Especulações sobre o estado de saúde de Luiz Phillipi Mourão circulavam desde quarta-feira, 4, quando ele atentou contra a própria vida
Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado pela Polícia Federal como executor de intimidações a mando do banqueiro Daniel Vorcaro, morreu na noite da última sexta-feira, 6, no Hospital João 23, em Belo Horizonte. A informação foi confirmada por seu advogado, Robson Lucas da Silva. “O quadro clínico de Luiz Philipi Machado de Moraes Mourão evoluiu a óbito, que foi legalmente declarado às 18h55, após encerramento do protocolo de morte encefálica”, diz nota enviada pela defesa a VEJA.
Mourão estava internado desde quarta-feira, 4, após uma tentativa de suicídio na prisão, onde se encontrava detido no âmbito da Operação Compliance Zero. De acordo com o advogado, o protocolo de morte encefálica foi iniciado na manhã de sexta. O corpo será encaminhado ao Instituto Médico Legal para os procedimentos legais.
A informação sobre a morte de Mourão, no entanto, já havia gerado uma onda de confusão. Inicialmente, na noite de quarta, a Polícia Federal divulgou que o Sicário havia cometido suicídio em sua cela na Superintendência da PF em Minas Gerais, sendo encontrado desacordado e socorrido. A nota oficial da corporação indicava o óbito, mas horas depois, a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais contradisse a informação, afirmando que a morte não estava confirmada e que Mourão seguia internado em cuidados intensivos no CTI do Hospital João XXIII. Por volta das 21h45 daquela noite, o hospital informou que estava iniciando o protocolo para confirmar a morte cerebral, deixando o desfecho em suspenso.
Preso na mesma operação que Vorcaro, Mourão era acusado de liderar um grupo que monitorava e planejava ações de intimidação contra adversários do banqueiro. Investigações da PF revelaram mensagens no celular de Vorcaro que indicavam a participação de Mourão em planejamentos violentos, incluindo um plano para agredir o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. O banqueiro, no entanto, negou as acusações por meio de sua defesa, alegando que as mensagens foram tiradas de contexto e que jamais teve intenção de ameaçar jornalistas.
Além do envolvimento no esquema de intimidação, Mourão possuía um histórico criminal e era réu em outra investigação por lavagem de dinheiro e organização criminosa em Minas Gerais. Segundo o Ministério Público estadual, ele integrava um esquema de pirâmide financeira que, entre 2018 e 2021, atraía investidores de todo o país por meio de anúncios falsos na internet e empresas de fachada. As investigações apontaram movimentações financeiras atípicas de Mourão, que chegou a movimentar R$ 24,9 milhões em uma única conta bancária em 2021.
A Polícia Federal informou que está apurando as circunstâncias da morte de Mourão, garantindo que todo o atendimento foi filmado e será investigado conforme o protocolo. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, afirmou que as imagens não possuem pontos cegos e que a investigação é de praxe em situações como essa.







