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Uma segunda geração de ditadores pode estar a caminho

Em tempos politicamente perturbadores, filhos de déspotas escorraçados buscam seu lugarzinho ao sol

Por Cleo Guimarães Atualizado em 19 nov 2021, 16h14 - Publicado em 21 nov 2021, 09h00

Duas candidaturas, anunciadas quase simultaneamente em pontos diversos do planeta, confirmam que, nestes tempos politicamente perturbadores, até filhos de déspotas escorraçados buscam seu lugarzinho ao sol. Nas Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., apelido Bongbong, 64 anos, herdeiro dele mesmo — o ditador que, junto com a mulher, Imelda Marcos, raspou os cofres públicos para sustentar um vidão durante mais de vinte anos, até cair —, é fortíssimo candidato à Presidência nas eleições de maio de 2022, fazendo dobradinha com ninguém menos que Sara Duterte-Carpio, 43, que vem a ser filha do atual mandatário, Rodrigo Duterte, ele mesmo um protoditador que manda atirar antes de perguntar.

Da eventual vitória pode sair uma vantagem para Imelda: forte e sacudida aos 92 anos, quem sabe ela não consegue refazer a coleção de 3 000 pares de sapatos? Na Líbia, é Saadi Kadafi, 49 anos, filho do tão excêntrico quanto cruel Muamar Kadafi, deposto e morto em 2011, que reaparece — de turbante e barbicha à la papai — para assinar a ficha de candidato às eleições de 24 de dezembro. No caso dele, as chances são poucas. Na Líbia atual, dilacerada em facções, ninguém sabe sequer se as eleições vão mesmo acontecer.

Publicado em VEJA de 24 de novembro de 2021, edição nº 2765

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