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A resposta da Universal após Angola confiscar templos

Edir Macedo alega ser vítima de "trama", "manipulação da mídia" e massacre de "tribunal de redes sociais"

Por João Batista Jr. - Atualizado em 18 ago 2020, 09h57 - Publicado em 16 ago 2020, 11h08

A Igreja Universal de Angola decidiu se manifestar após a Procuradoria Geral da República daquele país fechar e confiscar alguns templos comandados por Edir Macedo. Segundo o religioso e dono da Record, a PGR da Angola está tramando e mentindo como forma de manipular a mídia e a população local.

Foram apreendidos igrejas nas cidades de Alvalade, Maculusso, Patriota, Morro Bento, Benfica, Cazenga e Viana — dos sete, quatro havia sido tomados por dissidentes. Os templos confiscados pela PGR de Angola ficarão sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Assuntos Religiosos do país.

Em nota, igreja de Macedo “lamenta profundamente que a sua imagem, dos seus membros, obreiros, pastores e bispos estejam sendo manchadas, sem possibilidade de defesa”, e que o objetivo da tomada dos templos seria fazer um “julgamento no ‘tribunal das ruas’ e das ‘redes sociais’, criando na opinião pública a ideia de que a Universal e os seus representantes são um conjunto de criminosos”. O texto também fala em violação da liberdade de religião. A Igreja Universal afirma que irá recorrer contra as arbitrariedades.

No dia 22 de julho, dezenas de bispos tomaram conta de templos da Universal em Luana e Benguela, entre outras cidades da Angola, em um levante inédito contra as lideranças escolhidas por Edir Macedo, que trata o episódio como um “golpe”. Entre os motivos para o levante no país africano, os bispos insurgentes citam evasão de divisas, abuso de autoridade e racismo.

Os insurgentes organizaram uma revolta contra Honorilton Gonçalves, diretor das igrejas de Macedo na África. Ao todo, 320 pastores locais tomaram a administração de 110 igrejas no país (50% do total). Em julho, VEJA entrevistou Dinis Bundo, obreiro da entidade há dezoito anos e porta-voz do levante. Ele afirma que, só em 2019, foram enviados ao Brasil 100 milhões de dólares sem declaração alguma ou registro. “Tem pastores que compram casas, condomínios, carros… Ou seja, essa quantia poderia ser maior e nem tudo vai para o Brasil”, disse ele.

A disputa por poder e dízimos em Angola virou uma dor de cabeça política e diplomática. Ainda em julho, o presidente Jair Bolsonaro se envolveu pessoalmente na questão, ao enviar uma carta ao presidente de Angola, João Manuel Lourenço, manifestando “preocupação” com os “recentes episódios” e pedindo uma proteção maior aos membros brasileiros da igreja, “a fim de garantir sua integridade física material e a restituição de propriedades e moradias”.

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