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Thomas Traumann Jornalista e consultor de comunicação, é autor de "O Pior Emprego do Mundo", sobre o trabalho dos ministros da Fazenda. Escreve sobre política e economia

Quem será o próximo a cair?

Quais os ministros e assessores importantes balançam no cargo

Por Thomas Traumann - Atualizado em 30 jul 2020, 18h55 - Publicado em 18 Maio 2020, 11h34

A queda de Nelson Teich do Ministério da Saúde com menos de um mês de governo revela a instabilidade da equipe do presidente Bolsonaro. Acompanhe quais os ministros e assessores importantes que também balançam no cargo:

Paulo Guedes, ministro da Economia – Ele não quer sair, nem Bolsonaro quer que saia agora, mas os militares acham que seu receituário liberal perdeu prazo de validade. Os generais com cargo no Palácio do Planalto querem na economia um ministro que fale mais de crescimento econômico e menos de ajuste fiscal. Se dependesse apenas deles, indicariam como novo ministro da Economia o ministro Rogério Marinho, mas aceitam um nome palatável ao mercado como o presidente do BC, Roberto Campos Neto. 

Rogério Marinho, ministro do Desenvolvimento Regional – Paulo Guedes só se refere ao antigo auxiliar com o adjetivo “desleal”.

Mansueto Almeida, secretário do Tesouro – Na virada do ano, o secretário pediu para sair, depois de receber boa proposta financeira do mercado privado. Paulo Guedes o convenceu a ficar para criar o Conselho Fiscal da República, que agora ninguém sabe se existirá. Mansueto tem relação agastada com a turma que Guedes trouxe para o ministério, Adolfo Sachsida (secretário de Política Econômica), Carlos da Costa (Produtividade) e Salim Mattar (Desestatização).

General Edson Pujol, comandante do Exército – É a principal barreira militar para os arroubos autoritários do presidente. Foi contra a nomeação dos generais Ramos e Braga Neto no ministério por considerar que elas fragilizam a independência do Exército em relação ao governo. Bolsonaro já pensou em trocá-lo pelo general Ramos, mas teme a reação da caserna.

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General Luiz Ramos, responsável pela articulação política – O presidente acha que o general cede demais nas negociações com o Congresso e segue se queixando da falta de uma base de apoio. Ramos culpa o líder do governo Vitor Hugo.

 Deputado Vitor Hugo, líder do Governo na Câmara – É um Highlander. Sobreviveu aos ataques de Onyx Lorenzoni, Joice Hasselmann (quando esta era próxima do Planalto) e chegou a ser extraoficialmente destituído da liderança do governo quando Osmar Terra voltou para a Câmara. Agora, enfrenta Ramos.

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Abraham Weintraub, ministro da Educação – O ministro chama mais atenção pelos seus tuítes do que pelas formulações pedagógicas, mas passou do limite na agora famosa reunião ministerial de 22 de abril, quando pediu a prisão dos ministros do STF. A AGU considera que a saída de Weintraub poderia melhorar o desgastado clima do governo com o Supremo.

Tereza Cristina, ministra da Agricultura – A competente ministra é atacada nas redes bolsonaristas por defender melhores relações com a China, maior parceiro comercial brasileiro. É inusitado alguém poder perder o emprego por suas qualidades, mas é isso mesmo. 

Regina Duarte, secretaria da Cultura – A atriz conseguiu uma sobrevida ao defender o regime militar (“ah, sempre houve tortura”), mas ainda é por não enfrentar a esquerda e propor um projeto cultural inspirado ao escritor Olavo de Carvalho

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