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Thomas Traumann Jornalista e consultor de comunicação, é autor de "O Pior Emprego do Mundo", sobre o trabalho dos ministros da Fazenda. Escreve sobre política e economia

O Centrão chegou para proteger Michelle Bolsonaro

O objetivo do presidente para distribuir cargos é proteger a sua mulher

Por Thomas Traumann Atualizado em 17 ago 2020, 13h07 - Publicado em 13 ago 2020, 15h59

O Centrão – o grupo de partidos que sai governo, entra governo está sempre no poder – indicou o novo líder de Jair Bolsonaro na Câmara, o deputado Ricardo Barros, do Progressistas. O Centrão já havia indicado o ministro das Comunicações, Fábio Faria, do PSD, e uma dúzia de cargos no segundo escalão, incluindo o Banco do Nordeste. Mas para que Bolsonaro precisa do Centrão a ponto de quebrar uma de suas principais promessas eleitorais, a de governo com um Nova Política? A resposta começa com a mulher Michelle e passa pelo filho mais velho, Flávio.

A turma da Faria Lima, onde ficam algumas das principais corretoras e gestoras de fundos da Bolsa de São Paulo, comemorou a chegada de Ricardo Barros como uma garantia de que agora o Centrão irá embarcar nas reformas econômicas do ministro Paulo Guedes. Bobagem. O oxigênio dos deputados do Centrão são emendas ao Orçamento de um Estado gastador e cargos em estatais, o contrária da agenda de Guedes. Como o mercado vive ultimamente em estado de negação, prefere não enxergar a verdade.

Os 150 deputados do Centrão que agora aderiram a Bolsonaro têm uma missão, impedir um processo de impeachment contra o presidente. Apesar da catástrofe na gestão do combate da Covid-19, até agora o único motivo palpável que pode levantar as ruas a favor do afastamento do capitão são os rolos do ex-assessor Fabrício Queiros, suspeito de liderar um esquema de corrupção com salários de servidores da Assembleia Legislativa do Rio. E aí entra a blindagem para a primeira-dama Michelle.

Na semana passada, o Ministério Público divulgou que Fabrício Queiroz e sua mulher Márcia Aguiar depositaram R$ 89 mil nas contas de Michelle Bolsonaro entre 2011 e 2016. Para Flavio foi muito mais (a última estimativa está em R$ 400 mil), mas o atual senador tem a sua própria defesa e a proteção do cargo.

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Já Michelle não tem explicação alguma. Ela não tinha relações com o casal Queiroz, mas pode ter servido como laranja para a lavagem do dinheiro. Note: a revelação sobre as contas da primeira-dama ocorreu na sexta-feira, 7, e, passados sete dias, nem Michelle, nem o Palácio do Planalto se dignaram a dar uma explicação. É um silencio que revela o tamanho da culpa. Não há como separar as contas de Michelle das de Bolsonaro. Investigar Michelle equivale a apurar as finanças de Jair Bolsonaro.

Com o apoio do Centrão, Bolsonaro acredita que pode apagar a história. Vai tratorar qualquer investigação no Congresso envolvendo o filho e pressionar a Justiça para levar o caso para o Supremo Tribunal Federal, alegando que Flavio tem foro privilegiado. Depois, usar o seu aliado mais estratégico, o procurador geral Augusto Aras, para impedir uma investigação específica sobre as contas da primeira-dama. Salvar Michelle é salvar o presidente.

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