Oferta Relâmpago: VEJA por apenas 9,90
Imagem Blog

Thomas Traumann

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Thomas Traumann é jornalista e consultor de risco político. Foi ministro de Comunicação Social e autor dos livros 'O Pior Emprego do Mundo' (sobre ministros da Fazenda) e 'Biografia do Abismo' (sobre polarização política, em parceria com Felipe Nunes)

A reconstrução de Sergio Moro

Ex-ministro ajusta discurso para ser o anti-Bolsonaro

Por Thomas Traumann Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 jun 2020, 16h08 • Atualizado em 22 jul 2020, 11h35
  • Dois meses depois de deixar o Ministério da Justiça, o ex-juiz Sergio Moro avança na estratégia de reconstruir a sua imagem, abalada pelos meses de governo Bolsonaro. Em artigos e entrevistas, Moro assume agora o papel da vítima usada pelo presidente com o propósito exclusivo de lustrar o ministério, sem a real intenção de levar adiante o combate à corrupção. “Comecei a sentir que minha presença (no governo) era um álibi. No sentido de dizer ‘olha, somos contra a corrupção porque o Moro está aqui’”, disse o ex-juiz em live nesta semana para investidores da XP.

    Símbolo da Operação Lava Jato, Moro deixou o governo depois de 16 meses menor que entrou. A sua proposta de reforma da legislação penal foi aprovada com várias mudanças pelo Congresso, incluindo a exclusão da prisão em segunda instância e a possibilidade de acordos entre promotores e réus antes do processo (o plea bargain). A PF foi maneteada e as revelações do site The Intercept Brasil mostraram que sua participação ativa na coordenação das ações da Força Tarefa de Curitiba. Agora, para recomeçar, Moro precisa recontar a sua história.

    ASSINE VEJA

    Acharam o Queiroz. E perto demais
    Acharam o Queiroz. E perto demais Leia nesta edição: como a prisão do ex-policial pode afetar o destino do governo Bolsonaro e, na cobertura sobre Covid-19, a estabilização do número de mortes no Brasil ()
    Clique e Assine

    Por isso, em todas aparições públicas Moro inicia mostrando indignação pela interferência de Bolsonaro na Polícia Federal, como o exemplo limite da falta de compromisso do presidente com a moralidade, incluindo a prisão posterior do faz-tudo da família, Fabrício Queiroz. No processo presidido pelo ministro do STF Celso de Mello, a defesa de Moro relacionou as tentativas de intervenção na PF com as investigações sobre a “rachadinha”. A defesa incorporou no processo a informação de que Bolsonaro manifestou sua primeira vontade em substituir o Superintendente da Polícia Federal do Rio de Janeiro em agosto de 2019, mesmo mês em que a defesa de Queiroz solicitou vistas do inquérito sigiloso sobre as “rachadinhas”.

    Na conversa para investidores, Moro foi irônico. “Não me sinto confortável em comentar o caso concreto (de Queiroz)… mas não passamos por uma Lava-Jato, com todas as dores que isso gerou de impactos políticos e econômicos – embora positivos a meu ver –, para varrer tudo debaixo do tapete”, disse o ex-juiz.

    Continua após a publicidade

    Moro defendeu ainda “retomarmos o espírito de reformas para superarmos os desafios econômicos”, o que soou como música para os investidores. Ele definiu o governo de Jair Bolsonaro como “não necessariamente fascista”, mas “populista, de direita e de viés autoritário”, o que, segundo o ex-juiz, seria “obstáculo” para investimentos externos.

    Essa reconstrução da imagem de Moro ocorre simultaneamente a dois fenômenos. O mais visível é o aumento sistemático na rejeição ao governo Bolsonaro, hoje acima de 50%. O segundo é a falta de uma opção eleitoralmente forte fora do eixo Bolsonaro-PT. Embora vários postulantes procurem ocupar essa terceira via (Ciro Gomes, Luciano Huck, João Dória, para citar alguns), o espaço segue aberto.

    Pesquisa da agência Quaest (https://veja.abril.com.br/politica/sergio-moro-desponta-como-principal-adversario-de-bolsonaro-em-2022/) mostra que Moro é hoje o principal adversário de Bolsonaro na corrida presidencial. Ele teria 19% das intenções de voto, ante 22% do presidente. Em terceiro, ficaria Fernando Haddad (13%), seguido de Ciro Gomes com 12%, Luciano Huck com 5%, Guilherme Boulos com 3% e João Doria com 2%. Lógico que é muito cedo para se falar 2022, mas para chegar lá é preciso abrir um caminho. Moro está se posicionando.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.