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Sobre Palavras Por Sérgio Rodrigues Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Tatuagem, do Taiti para o mundo

Por Sérgio Rodrigues - Atualizado em 12 fev 2017, 09h59 - Publicado em 23 set 2014, 13h05

Captain James Cook (1728-1779)  *oil on canvas  *127 x 101.6 cm  *1775-1776O homem da imagem ao lado, o capitão inglês James Cook (1728-1779), entrou para a história como o navegador ocidental que botou a Oceania definitivamente no mapa, tornando-se, segundo os registros oficiais, o primeiro a pisar na costa oriental da Austrália e em diversas ilhas polinésias. De lá ele trouxe uma palavra que estava destinada a ganhar o mundo: tatuagem.

Na verdade, o que Cook relatou em seus influentes escritos foi o contato com um termo taitiano, tatau, que significava “desenho pigmentado na pele”. O etimologista brasileiro Antenor Nascentes explica assim o processo: “Eles (os taitianos) picam a pele com um osso pontudo e derramam nestas picadas uma tinta azul que chamam tat-tow”.

A palavra deixou sua marca impressa na língua inglesa como tattoo, substantivo e verbo. A prática logo caiu no gosto dos marinheiros, e do inglês o termo chegou, ainda nos últimos anos do século XVIII, ao francês tatouer, verbo a partir do qual se formou o substantivo tatouage.

É provável que no caso do português, que entrou nessa história com atraso, a fonte imediata tenha sido o francês, pois “tatuagem” estreou em nossos dicionários oito anos antes do verbo tatuar – ambos na última década do século XIX, segundo a datação do Houaiss.

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