Oferta Relâmpago: Assine por apenas 9,90
Imagem Blog

Sobre Palavras

Por Sérgio Rodrigues Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

‘Gênia’ e ‘ídala’ são palavras aceitáveis?

Compartilhe essa matéria: Link copiado! Priorizar nos meus resultados Google “Caro Sérgio, tenho lido e ouvido constantemente, pronunciado principalmente por artistas ‘globais’, o uso das palavras ‘gênio’ e ‘ídolo’ flexionadas no feminino: ‘gênia’ e ‘ídala’. Não estamos diante de substantivos sobrecomuns masculinos e que, portanto, não comportam flexão de gênero? Há algum fundamento para tal […]

Por Sérgio Rodrigues 14 jan 2015, 16h00 | Atualizado em 31 jul 2020, 02h20
‘Gênia’ e ‘ídala’ são palavras aceitáveis? Priorizar nos meus resultados Google

“Caro Sérgio, tenho lido e ouvido constantemente, pronunciado principalmente por artistas ‘globais’, o uso das palavras ‘gênio’ e ‘ídolo’ flexionadas no feminino: ‘gênia’ e ‘ídala’. Não estamos diante de substantivos sobrecomuns masculinos e que, portanto, não comportam flexão de gênero? Há algum fundamento para tal uso ou é apenas erro crasso? 
Grato pela atenção.” (Aarão Castro)

Aarão tem razão quando observa que “gênio” e “ídolo” são aquilo que em linguagem técnica se chama de “substantivos sobrecomuns”, ou seja, palavras – referentes a pessoas – que têm apenas um gênero. No caso, masculino, mas também existem vocábulos nessa categoria que são exclusivamente femininos, como “criatura” e “vítima”.

Ou seja: devemos dizer que “ela é um gênio” ou “ela é meu ídolo”. Ponto.

No entanto, mesmo não havendo fundamento gramatical para o uso de “gênia” e “ídala”, eu não chegaria ao ponto de tratar essas formas como “erros crassos”. Parece-me bem claro que estamos diante de brincadeiras, desvios que os próprios falantes – ou a maioria deles – usam de forma consciente e lúdica.

Sem nenhuma pesquisa, tocando de ouvido, arrisco dizer que “gênia” é uma palavra empregada quase sempre com ironia. “Que gênia!”, costuma-se exclamar quando uma mulher faz ou diz uma rematada bobagem. Em “ídala” a brincadeira fica ainda mais clara, pois a flexão de gênero, caso existisse na língua formal, seria ídola. “Ídala” é um disparate.

Continua após a publicidade

Há outros casos em que substantivos sobrecomuns são habitualmente flexionados na linguagem informal. “Ele já fez trinta anos, mas é um crianção”, por exemplo (“criança” é substantivo feminino). Ou ainda: “Aquela professora é uma verdadeira carrasca” (“carrasco” é sempre masculino).

Tudo isso contraria a norma culta, é claro, e deve ser evitado nos contextos em que ela seja exigida. Mas nem tudo é norma culta na linguagem do dia a dia. O humor, a ironia, a afetividade e outras necessidades expressivas podem levar o falante a brincar com as palavras. Não há nada errado nisso – desde que seja hora de brincar.

*

Envie sua dúvida sobre palavra, expressão, dito popular, gramática etc. Às segundas, quartas e quintas-feiras o colunista responde ao leitor na seção Consultório. E-mail: sobrepalavras@todoprosa.com.br

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 33% OFF

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00) + Abril Signature Ouro, o novo programa de benefícios da Abril, que te dá acesso a descontos exclusivos e cashback em centenas de estabelecimentos.
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).