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Com robô de arrecadação eleitoral, empresa cresce mirando 2018

Empresa gaúcha cresceu vinte vezes em um ano oferecendo prestação de contas digital, análise de big data e mecanismo para arrecadar doações

Cinco empreendedores do interior gaúcho iniciaram um negócio de prestação de contas eleitorais de forma digital. Em janeiro, tinham 25 clientes entre políticos, partidos e diretórios. Agora, esse número chegou a 510, vinte vezes mais, com a oferta de um novo serviço que coincide com a maior preocupação atual dos partidos de olho em 2018: a arrecadação eleitoral. Na próxima eleição, a doação de empresas privadas para campanhas está vetada, mas a doação de simpatizantes dos candidatos é permitida.

“Os partidos vivem hoje a síndrome do ‘sonho de ganhar na Mega-Sena’. Criamos a figura do doador oculto. A gente liga para os partidos e tenta fazer doação para eles. Eles dizem que as pessoas não doam, porque a política está desgastada e não existe essa cultura de doação. É verdade. Mas tentamos doar, como teste, para cinquenta diretórios do país e não tivemos sucesso com nenhum. O atendimento é ruim, não sabem informar se é por depósito, débito, boleto. A experiência é péssima”, contou a VEJA Guilherme Anderson Sturm, de 30 anos, contador e CEO da EssentJus.

A ideia de criar um “robô de arrecadação surgiu quando os contadores perceberam que muitos políticos ou diretórios não contratavam a prestação de contas digital por falta de previsão de verba para o ano que vem. Os clientes da EssentJus pertencem a treze partidos como PT, PSDB e Progressistas, para citar alguns.

“Criamos essa funcionalidade onde o partido ou o candidato cadastra pessoas para montar listas. Então, nosso robô começa trabalhar: dispara convites por e-mail ou por mensagem de celular, arrecada fundos por meio de cartão de crédito ou boleto. Essas doações podem ser tanto pontuais como recorrentes, com programação mensal, por exemplo. O partido também pode usar o robô para vender bandeira, camiseta e ingresso para eventos”, explica o CEO.

Guilherme Anderson Sturm, de 30 anos, à esquerda, e os sócios da EssentJus, empresa de Tucunduva, no interior do Rio Grande do Sul, que ajuda candidatos de todo o Brasil a prestar contas e a arrecadar doações (EssentJus/Divulgação)

O serviço funciona com uma mensalidade que, com a gestão legal das contas e robô de arrecadação, custa apenas 79,90 reais mensais para diretórios partidários de porte pequeno. A startup surgiu de uma empresa de mais de 40 anos que presta serviço a partidos desde 1998. Sturm trabalhou dezessete anos na empresa da família até criar a nova empresa. A startup funciona em Tucunduva, cidadezinha de 5.000 habitantes, no noroeste do estado, e tem clientes em São Paulo, Goiás, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Santa Catarina. Sturm pretende dobrar o número de clientes ainda nesse ano e para crescer ainda mais no ano que vem. “Aprendemos com a política que quando atingimos a meta, nós dobramos a meta”, brinca.

A EssentJus atende até mesmo clientes que concorrem entre si. Em 2016, a empresa fez a prestação de contas tanto da campanha de Raul Pont (PT) à prefeitura de Porto Alegre como da campanha de Nelson Marchezan Jr. (PSDB), que foi eleito. “Temos uma postura discreta. E tomamos todos os cuidados como não ter ninguém na equipe que seja filiado a algum partido. Temos uma postura muito neutra e garantimos o sigilo sem vazamento de qualquer informação”, explica Sturm.

Para “dobrar a meta” de clientes, além da prestação de contas e arrecadação, a EssentJus está iniciando uma parceria que oferece também análise de dados, o chamado “big data”. Junto com a empresa Zeeng, a startup gaúcha vai ajudar candidatos a analisar o comportamento do eleitorado através de um monitoramento de ações digitais como postagens em redes sociais notícias e audiência.

Com a experiência de contador, o empresário percebeu que muitas campanhas têm a prestação de contas reprovada por falta de conhecimento, não necessariamente por falhas intencionais. Por isso, acredita que sua empresa pode colaborar para tornar a prestação e contas mais transparente. “Se a gente quer que a política mude, a gente tem que proporcionar mudanças para que o sistema melhore e não afaste um monte de gente legal que não vai querer entrar nesse circuito”, explica.

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