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Ricardo Rangel

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Sófocles e a obrigatoriedade da vacina

Quando existe um conflito entre a liberdade individual e o bem coletivo não há, a priori, um lado certo.

Por Ricardo Rangel Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 out 2020, 17h17 • Atualizado em 22 out 2020, 17h19
  • Para quem é contra a obrigatoriedade da vacinação, que acha que vacinação é questão de liberdade de escolha, pergunta-se:

    1) Se, em vez do coronavírus, o inimigo fosse o bacilo da peste bubônica, que matou metade da população da Europa no século XIV, você também seria contra a obrigatoriedade da vacina?

    2) Você é contra a obrigatoriedade de parar no sinal vermelho ou de pagar impostos?

    Para quem defende a obrigatoriedade da vacinação, pergunta-se:

    1) Por que você quer obrigar as pessoas a fazer algo que é bom para elas em vez de tentar convencê-las?

    2) As pesquisas indicam que mais de 80% das pessoas — suficiente para alcançar a imunidade de rebanho — pretendem se vacinar voluntariamente. Por que você quer gastar dinheiro público para obrigar as pessoas a fazer aquilo que elas já querem fazer?

    Como se sabe desde que Sófocles escreveu “Antígona”, há 2.500 anos, quando existe um conflito entre a liberdade individual e o bem coletivo não há, a priori, um lado certo. Quando é esse o caso, a resposta é “depende”: depende do quão fundamental é a liberdade individual de que se fala e de qual é o alcance do bem coletivo que se pretende alcançar.

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