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Ricardo Rangel

O pior passou, mas há muito a aprender

Se não mudar de atitude, o governo vai continuar levando sustos

Por Ricardo Rangel - 21 ago 2020, 13h41

Ufa, o governo conseguiu reverter na Câmara a derrota que sofreu no Senado. O pior passou, mas há lições importantes no quase desastre. Eis algumas:

  • A articulação política do governo continua abaixo da crítica. Houve tempo em que veto presidencial ser derrubado era coisa rara e grave: hoje é banal (há pouco tempo, nada menos do que quatro vetos foram derrubados em uma só sessão). Aliás, o governo atual é também recordista em medidas provisórias revogadas ou ignoradas até caducar.
  • O veto ao reajuste, derrubado no Senado, havia sido objeto de negociação prévia: é incrível que o governo não tenha sequer percebido que havia uma traição a caminho.
  • Diante da má notícia, Guedes chamou a decisão de “crime contra o país” e Bolsonaro afirmou que o Brasil ficaria “ingovernável”. Insultar e chantagear parlamentares, dos quais depende a governabilidade, não é muito produtivo. Ou inteligente.
  • A atitude “faça o que eu digo, mas não o que eu faço” não funciona. Governo que vive tomando atitudes fiscalmente irresponsáveis não tem autoridade moral para reclamar dos parlamentares quando fazem a mesma coisa.
  • A aliança com o Centrão é uma garantia muito menos firme do que Bolsonaro gosta de acreditar.
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