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Ricardo Rangel

O fio da meada: 5 pontos básicos sobre a corrupção na Saúde

A política de saúde do governo privilegia a corrupção e constrange as Forças Armadas

Por Ricardo Rangel 8 jul 2021, 13h54

Cinco pontos básicos sobre a corrupção na Saúde:

1) A “política” de saúde do governo Bolsonaro era a imunidade de rebanho. É de se supor que a insistência estapafúrdia por medicamentos inúteis como a cloroquina tivesse um motivo, e fabricantes desses medicamentos estão sendo investigados.

2) Quando ficou claro que a “política” da imunidade era uma catástrofe e que a população exigia imunização, o governo foi procurar vacina — mas priorizou um método heterodoxo. O governo sabotou deliberadamente a negociação com laboratórios com representação própria, como a Pfizer, e procurou adquirir vacinas que precisassem de representantes independentes. O motivo é evidente: com atravessador, é mais fácil cobrar propina. E esse é o desenho que se enxerga para a compra da Covaxin (via Precisa) e da CanSino (via Belcher) ou para o modelo esdrúxulo de comprar AstraZeneca indiretamente (via Davati).

3) Há dois grupos envolvidos com corrupção no Ministério da Saúde, um ligado ao centrão, outro militar (há pelo menos meia dúzia de coronéis acusados ou sob suspeita), grupos que estão, ou estavam até há pouco tempo, em conflito. Ao que tudo indica, no entanto, alguns militares foram cooptados pelo grupo do centrão, o que explicaria, por exemplo, a demissão do coronel Blanco, que, parece ter permanecido, como lobista full-time, ligado a Roberto Dias.

4) Roberto Dias reuniu um dossiê com informações altamente comprometedoras. Omar Aziz mencionou a existência do dossiê e afirmou que ele incluiria ordens vindas diretamente da Casa Civil. Além de já ter sido ocupada por um general de 4 estrelas (Braga Netto), e atualmente ser ocupada por outro 4 estrelas (Ramos), a Casa Civil é a copa e a cozinha do governo: se estiver envolvida em corrupção, será impossível para o presidente Bolsonaro dizer que não tem nada com isso.

5) É inegável que o esquema de corrupção na Saúde envolve vários coronéis, talvez envolva generais e até mesmo o presidente da República. Mais cedo ou mais tarde, os oficiais generais da ativa vão ter que decidir se abandonam esses vários militares corruptos à sua própria sorte ou se permitem que as Forças Armadas, como instituição, afundem junto com eles.

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