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Ricardo Rangel

Lula e a união do Centro

Tasso Jereissati acha que a volta de Lula representa "uma avenida aberta" para as forças de centro

Por Ricardo Rangel 12 mar 2021, 17h00

Grande parte dos analistas políticos entendeu a ressureição política de Lula como péssima notícia para as forças de centro, que teriam ficado estranguladas diante do acirramento da polarização. Mas há também quem entenda, como o senador Tasso Jereissati afirmou em entrevista a William Waack, que ela é “uma avenida aberta” para que as forças de centro cheguem a um acordo e lancem uma candidatura única. Basta ter um pouco de “desprendimento”, disse Tasso.

As duas visões coincidem no entendimento de que a união das forças de centro em uma candidatura única se tornou obrigatória, sob pena de derrota fragorosa em 2022. A divergência é que uns, como Tasso, enxergam a união como uma oportunidade, e outros a consideram um obstáculo quase intransponível.

No Brasil, ser realista quase sempre significa ser pessimista, sem falar que, dado o comportamento do centro até agora, esperar desprendimento de quem quer que seja soa como uma temeridade.

ACM Neto traiu Rodrigo Maia e se abraçou com Bolsonaro. Doria tentou dar um golpe de Estado no PSDB e acabou sem o apoio de ninguém. Os cartolas do PSDB inventaram um novo candidato, Eduardo Leite. Rodrigo Maia se abraçou com Lula. Mandetta está em um partido que acaba de apoiar em bloco o candidato de Bolsonaro. Sergio Moro está sob fogo cerrado do Supremo, e ninguém tem coragem de defendê-lo. Luciano Huck até hoje não sabe o que quer. Com um centro assim, quem precisa de polarização?

Antigamente se dizia que “a esquerda só se une na cadeia”. O centro, menos acostumado a ir para a cadeia, parece que não se une nunca.

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