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Ricardo Rangel

Arthur Lira, ‘traíra’?

O amor do presidente da Câmara por Jair Bolsonaro não é à prova de balas

Por Ricardo Rangel 22 jun 2021, 15h54

Arthur Lira declarou-se contra a CPI da Covid e afirmou que não há “circunstâncias políticas” para o impeachment.

Bolsonaro deve ter apreciado a sabujice do presidente da Câmara. Mas, se apreciou, é porque é um leitor pouco sofisticado. Nem tudo na entrevista é sabujice.

O presidente da Câmara não disse que é contra o impeachment em si nem que as mortes não seriam justificativa para um eventual impeachment (aliás, afirmou expressamente que uma única morte poderia ser justificativa). O que ele disse é que não há condições políticas. Mas que sua própria função é de neutralidade, e que se a população quiser “testar”, ele bota para votar.

A posição de Lira, segundo ele mesmo, é igual à de Rodrigo Maia, que não botava o impeachment para frente porque não havia maioria para aprovar (mas todo mundo sabia que botaria se houvesse). É natural que Lira não queira ser comprometer, que não queira marcar posição como frontal contra o impeachment. Mas o fato de não querer se comprometer é revelador.

Além disso, o deputado fez um cumprimento a Lula, a quem considera um player importante, e ao PT, que desde 2018 “está sempre lá”, ou seja, entre os dois favoritos à presidência.

A entrevista de Lira deixa claro que ele está onde sempre esteve, em lugar nenhum e em todos os lugares, ou seja, está e sempre estará onde é bom para ele.

Se o movimento pelo impeachment crescer e a popularidade de Bolsonaro cair a ponto de haver maioria contra ele na casa, Lira bota o impeachment pra votar e adere a Lula (com quem, aliás, o centrão sempre se deu muito bem) sem piscar.

Não que alguém além de Jair Bolsonaro imaginasse que fosse diferente.

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