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Ricardo Rangel

A crueldade sem paralelo de Bolsonaro

O presidente vetou a distribuição de absorventes femininos para mulheres e meninas miseráveis

Por Ricardo Rangel Atualizado em 7 out 2021, 15h16 - Publicado em 7 out 2021, 14h59

Jair Bolsonaro vetou a distribuição gratuita (constante de projeto de lei aprovado no Congresso no mês passado) de absorventes femininos para estudantes de baixa renda e mulheres em situação de rua ou de vulnerabilidade extrema.

O “argumento” é que o projeto não estabeleceria fonte de custeio. O argumento é falso — o projeto apresenta como fonte o Fundo Penitenciário Nacional e o SUS —, mas Bolsonaro, em sua sanha para vetar, afirma, em argumentação tortuosa, que absorvente não é medicamento, não pode ser custeado pelo SUS.

É sabido que a falta de absorventes compromete a frequência escolar e o comparecimento ao trabalho, e impacta fortemente a qualidade de vida, a dignidade e a autoestima de mulheres e meninas pobres. O problema torna-se ainda mais grave em um momento de pandemia, recessão econômica e alto desemprego, quando a perda de renda nas classes mais pobres chega a 20%.

O veto é de covardia e crueldade ímpares, mas não surpreende. Bolsonaro despreza pobres, mulheres, estudantes, presidiários e outras minorias, faz o que pode para prejudicá-los. Não custa lembrar que, no auge da pandemia, Bolsonaro vetou a distribuição de água potável (!) a índios.

Nos últimos tempos, o Congresso vem se especializando em derrubar vetos presidenciais. Espera-se que derrube esse também.

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