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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Um apagão de vergonha na cara

Ontem, republiquei aquele vídeo impagável em que Dilma Rousseff tenta explicar o apagão de 2009. Ninguém entendeu nada, e ela própria, como ficou óbvio ali, não tinha a menor idéia do que tinha acontecido. Veio a público 21 horas depois para engrolar aquelas palavras. No fim da contas, culparam um certo raio que nunca aconteceu. […]

Por Reinaldo Azevedo 5 fev 2011, 14h01 | Atualizado em 31 jul 2020, 12h56
Um apagão de vergonha na cara Priorizar nos meus resultados Google

Ontem, republiquei aquele vídeo impagável em que Dilma Rousseff tenta explicar o apagão de 2009. Ninguém entendeu nada, e ela própria, como ficou óbvio ali, não tinha a menor idéia do que tinha acontecido. Veio a público 21 horas depois para engrolar aquelas palavras. No fim da contas, culparam um certo raio que nunca aconteceu. E tudo ficou por isso mesmo.

Ficou claro que o ministro Edison Lobão, o mesmo de 2009, não sabe do que fala. Chega a dar pena! Histérica, Dilma insistia que “blecaute, minha filha, não é apagão; apagão é coisa de incompetentes”. Vai ver a rotina de blecautes, então, é coisa de… competentes!

Olhem aqui: a agora rainha Dilma Primeira manda no setor elétrico há oito anos. É a gerentona, a poderosa, a que sabe tudo, a que manda soltar e prender na área. Não obstante, um setor de fato estratégico – este sim! – foi terceirizado e está entregue à oligarquia mais bocó e mais atrasada do país: a da família Sarney.

Tentando explicar o ocorrido, Lobão resolveu tomar emprestado a Delúbio Soares a inclinação para os eufemismos e declarou que “não houve apagão, mas uma interrupção temporária no fornecimento de energia”. Entendi: a “interrupção temporária” é um “apagão não-contabilizado”.

Aí o marketing da Dilma Primeira entrou em campo – e a imprensa repete bovinamente o ardil – para deixar claro que ela ficou muito preocupada, chamou o ministro e cobrou uma explicação. Huuummm… Ele, convenham, saiu-se um pouquinho melhor do que ela em 2009. Ademais, coitado!, está lá apenas como estafeta da família Sarney. Poderia dizer à presidente: “É pra mim que a senhora vem perguntar o que aconteceu? E desde quando eu estou aqui para cuidar de energia? Eu cuido é do latifúndio de Sarney no governo federal.” Estaria só falando a verdade.

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Não deixa de ser irônico que parte do país tenha ficado às escuras no dia em que a presidente nomeou Flávio Decat, mais um afiliado de Sarney, para a presidência de Furnas.

Assim que o jornalismo parar de se comportar, com as exceções de sempre, como castelão de Dilma Primeira, talvez volte a seu trabalho e ilumine os gargalos na infraestrutura da economia brasileira. É um escárnio que o setor elétrico esteja entregue a tipos como Lobão e Sarney, tendo um Eduardo Cunha no banco de reservas…

O apagão no Brasil é de vergonha na cara!

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