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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Sei não… Com um trocadilho novo, parece que Marina dá pistas de que vai disputar eleição

Eh, Marina Silva!!! Os que vão morrer, em vez de virar estrela, a aplaudem. A mulher é um gênio do marketing e atua com outros marqueteiros espertos. Eles só são um pouco distraídos na hora de colher assinaturas, mas isso é coisa que se vive aqui, no mundo de baixo, coisa de terráqueos ambiciosos. A […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 31 jul 2020, 05h15 - Publicado em 4 out 2013, 19h57

Eh, Marina Silva!!! Os que vão morrer, em vez de virar estrela, a aplaudem. A mulher é um gênio do marketing e atua com outros marqueteiros espertos. Eles só são um pouco distraídos na hora de colher assinaturas, mas isso é coisa que se vive aqui, no mundo de baixo, coisa de terráqueos ambiciosos. A Profetisa da Rede concedeu uma entrevista coletiva para dizer se seria ou não candidata à Presidência por outra legenda. Ocorre que ela ainda não decidiu. Será a senhora absoluta do noticiário e das redes sociais por três dias consecutivos. Amanhã ela revela. Mas já produziu um trocadilho novo, que se situa na tríplice fronteira do cristianismo sem teologia, do hiponguismo e da autoajuda. No momento mais solene da entrevista, disparou:

“A verdade não está com nenhum de nós, mas está entre nós”.

O que isso quer dizer? Não sei! Não houvesse ali tantos incréus (a começar dos jornalistas… Brincadeirinha, viu, coleguinhas?), eu seria capaz de jurar que era a manifestação de Pentescostes, quando o Espírito Santo não baixa em nós, mas entre nós… Quem é cristão, mesmo papa-hóstia como eu, entende. Pode ser por isso que Marina passou a falar em língua estranha.

Abusando da glossolalia política, e todos ali fazendo de conta que entediam, afirmou:
“[Quero] reafirmar a necessidade da atualização do processo político do país”.
Não sei o que quer dizer.

Mas ela vai ser candidata? Continuou com sua fala de outro mundo:
“[Vamos ver] quais são as pessoas, movimentos e partidos identificados com a agenda estratégica (…) e com o novo caminho, a nova maneira de caminhar, a reintegração entre representantes e representados”. Ela quer ainda “aposentar de vez a velha política”.

Vai ou não vai?
Num dado momento, Marina Silva afirmou que vai pesar na sua decisão a necessidade de romper a polarização entre “a oposição pela oposição” e a “situação pela situação”. Vênia máxima à profetisa, trata-se de uma informação falsa como nota de três reais. Desde quando o PSDB, por exemplo, fez “oposição por oposição”? Isso é apenas mentira! Aliás, quando ela era ministra do governo Lula, os maiores defensores no Congresso de algumas medidas de seu então colega de Ministério Antônio Palocci foram os tucanos. Quem combatia as ações corretas e sensatas de ajuste fiscal, por exemplo, era Heloisa Helena, que agora é membro da “Rede”…

A resposta, de todo modo, aponta que Marina pode, sim, se candidatar. E o adiamento de um dia, acho eu, sugere que há uma conversa em curso. Marina pode ter feito exigências a alguma das legendas que lhe ofereceram abrigo, e a direção do partido em questão deve estar pensando. Não fosse assim, por que o adiamento? Um partido pode até mudar de nome, se quiser, para abrigar Marina. Pode, por exemplo, passar a se chamar… Rede. A questão seria o que fazer com os dirigentes herdados. No PV, a coisa não deu certo porque ela tentou mandar a turma pra casa…

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Agora que eu sei que “a verdade” estava lá, enquanto ela falava, estou mais tranquilo. Minha vida também mudou, confesso. Eu já havia me convencido de que a dita-cuja existe em certos campos do conhecimento, como as ciências da natureza, a matemática etc. Eu a aceito, também, na dimensão religiosa (para os crentes, como eu). Em política, sempre considerei que a “verdade” fosse uma questão de valor, não de revelação.

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