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Reinaldo Azevedo

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Real cai 26% e País vive nova máxi

Por Leandro Modé, no Estadão:A queda do real ante o dólar desde a concordata do banco de investimentos americano Lehman Brothers, em setembro, já pode ser considerada uma maxidesvalorização. Do dia 12 daquele mês até a última sexta-feira – ou seja, exatos três meses -, a moeda brasileira se desvalorizou 25,9%. Nos 90 dias que […]

Por Reinaldo Azevedo 15 dez 2008, 06h47 • Atualizado em 5 jun 2024, 20h46
  • Por Leandro Modé, no Estadão:
    A queda do real ante o dólar desde a concordata do banco de investimentos americano Lehman Brothers, em setembro, já pode ser considerada uma maxidesvalorização. Do dia 12 daquele mês até a última sexta-feira – ou seja, exatos três meses -, a moeda brasileira se desvalorizou 25,9%. Nos 90 dias que se seguiram à mudança do regime cambial brasileiro, em janeiro de 1999, a perda do real foi de 27,2%. A principal diferença entre aquele período e o atual é o comportamento da inflação, “enigma” que intriga analistas.
    Um levantamento do economista-chefe da Bradesco Corretora, Dalton Gardimam, revela que o Índice de Preços no Atacado Disponibilidade Interna (IPA-DI) saltou 6,99% em fevereiro de 1999. Em novembro deste ano, apurou deflação de 0,17%. “Há sinais de que o repasse da alta do dólar para a inflação, desta vez, inexiste.”
    O especialista escolheu o IPA-DI porque é o indicador que melhor espelha a variação do dólar no País. No entanto, até mesmo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve de referência para a meta de inflação, mostrou inesperada desaceleração em novembro (0,36% ante 0,45% em outubro).
    Números como esses têm provocado um acalorado debate entre os analistas, pois os modelos matemáticos tradicionais estimam que cada 10% de desvalorização do real produz uma alta de um ponto porcentual nos índices de preço ao consumidor (IPCs). É por essa razão que o Comitê de Política Monetária (Copom) estava especialmente pressionado em sua reunião da semana passada, na qual decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano.
    Como Gardimam, parte dos especialistas argumenta que vários fatores distinguem a situação atual da de 1999 – e também da de 2002, quando a perspectiva da eleição do então candidato à presidência Luiz Inácio Lula da Silva provocou uma disparada do dólar. “A palavra-chave, hoje, é crédito”, diz o economista do Bradesco.
    O argumento dele é que a escassez de crédito em outubro teve um efeito dominó sobre outros setores da economia, o que levou a uma brusca redução da demanda. É importante ressaltar que os dados do Banco Central (BC) apontaram uma alta de 2,9% no volume total de crédito no País naquele mês. Entretanto, parte dessa elevação se deveu ao aumento dos juros cobrados dos clientes. Além disso, o próprio BC mostrou que a concessão de novas operações teve recuo de 3%.
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