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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Querem botar Marighella no lugar de Floriano Peixoto!

Eis que leio o seguinte no Estadão Online. Comento em seguida: Antigos militantes da Aliança Libertadora Nacional (ALN), organização de esquerda que foi comandada por Carlos Marighella, lançaram nesta quarta-feira, data em que há 40 anos foi assassinado o ex-guerrilheiro em São Paulo, a campanha para dar seu nome à Praça Marechal Floriano, no centro […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 31 jul 2020, 16h30 - Publicado em 5 nov 2009, 04h47

Eis que leio o seguinte no Estadão Online. Comento em seguida:
Antigos militantes da Aliança Libertadora Nacional (ALN), organização de esquerda que foi comandada por Carlos Marighella, lançaram nesta quarta-feira, data em que há 40 anos foi assassinado o ex-guerrilheiro em São Paulo, a campanha para dar seu nome à Praça Marechal Floriano, no centro do Rio, tradicionalmente conhecida como Cinelândia.
“Esta praça é simbólica, foi palco das principais campanhas políticas desde a do Petróleo é Nosso. Ela abrigou a passeata dos 100 mil. Por aqui começaram o terminaram grandes outras passeatas e manifestações, como a da Anistia e das Diretas Já”, lembrou o também ex-comandante da ALN Carlos Eugênio Sarmento da Paz, ao justificar o movimento para dar à praça o nome de Marighella.
Nesta quarta-feira, simbolicamente, os participantes da manifestação – havia representantes do PT, PSB, PCdoB, PCB e PDT – colaram nas placas da praça o nome do ex-líder da organização de esquerda. Na Câmara Municipal, por iniciativa do vereador Leonel Brizola Neto tramita um decreto legislativo lhe dando o título de cidadão carioca. Na próxima semana o movimento dará início à coleta de assinaturas em um abaixo-assinado de forma a forçar os vereadores cariocas a aprovarem a legislação necessária para mudar o nome da praça que também abriga a Câmara.

Comento
No dia 29 de maio, em Pernambuco, Lula afirmou que o Brasil precisa prestigiar os seus heróis. E citou como exemplo de heroísmo justamente Carlos Marighella.

Marighella, Marighella… Ah, lembrei! Não é aquele terrorista que escreveu um Manual da Guerrilha que punha até os hospitais como alvo da ação de seus liderados? Sim, é ele mesmo! No dia 7 de novembro de 2008, eu dediquei um post à obra-prima do “herói” de Lula:
*
O nobilíssimo ministro Paulo Vannuchi, dos Direitos Humanos, é um dos senhores empenhados em defender a revisão da Lei da Anistia. É um homem adequado para o cargo, sem dúvida. Sobretudo por seu passado de grande humanista. Era membro, por exemplo, da ALN (Ação Libertadora Nacional), organização liderada pelo terrorista Carlos Marighella. E a classificação lhe cabe não porque eu queira. Mas porque ele própria a queria. Escreveu um “Minimanual da Guerrilha Urbana” em que defendia, sem receio, as ações terroristas. E ensinava como praticá-las.
(…)

Pois bem. Vamos ler alguns trechos do que era pregado por Marighella, o guia genial de Vannuchi, esta pomba da paz “com o bico volteado”… Leiam e pensem que muitos dos que adotaram e/ou aprovaram tais procedimentos recebem, hoje em dia, uma pensão do estado por causa de sua “luta”. E é essa gente que está querendo, agora, a revanche. Seguem trechos do manual (os entretítulos são meus).

TRECHOS DO MANUAL DE MARIGHELLA
Já na abertura

A acusação de “violência” ou “terrorismo” sem demora tem um significado negativo. Ele tem adquirido uma nova roupagem, uma nova cor. Ele não divide, ele não desacredita, pelo contrário, ele representa o centro da atração. Hoje, ser “violento” ou um “terrorista” é uma qualidade que enobrece qualquer pessoa honrada, porque é um ato digno de um revolucionário engajado na luta armada contra a vergonhosa ditadura militar e suas atrocidades.

Missão

O guerrilheiro urbano é um inimigo implacável do governo e inflige dano sistemático às autoridades e aos homens que dominam e exercem o poder. O trabalho principal do guerrilheiro urbano é de distrair, cansar e desmoralizar os militares, a ditadura militar e as forças repressivas, como também atacar e destruir as riquezas dos norte-americanos, os gerentes estrangeiros, e a alta classe brasileira.
(…)
é inevitável e esperado necessariamente, o conflito armado do guerrilheiro urbano contra os objetivos essenciais:
a. A exterminação física dos chefes e assistentes das forças armadas e da polícia.


É pra matar

No Brasil, o número de ações violentas realizadas pelos guerrilheiros urbanos, incluindo mortes, explosões, capturas de armas, munições, e explosivos, assaltos a bancos e prisões, etc., é o suficientemente significativo como para não deixar dúvida em relação as verdadeiras intenções dos revolucionários.
A execução do espião da CIA Charles Chandler, um membro do Exército dos EUA que veio da guerra do Vietnã para se infiltrar no movimento estudantil brasileiro, os lacaios dos militares mortos em encontros sangrentos com os guerrilheiros urbanos, todos são testemunhas do fato que estamos em uma guerra revolucionária completa e que a guerra somente pode ser livrada por meios violentos.
Esta é a razão pela qual o guerrilheiro urbano utiliza a luta e pela qual continua concentrando sua atividade no extermínio físico dos agentes da repressão, e a dedicar 24 horas do dia à expropriação dos exploradores da população.

Razão de ser
A razão para a existência do guerrilheiro urbano, a condição básica para qual atua e sobrevive, é o de atirar. O guerrilheiro urbano tem que saber disparar bem porque é requerido por este tipo de combate.
Tiro e pontaria são água e ar de um guerrilheiro urbano. Sua perfeição na arte de atirar o fazem um tipo especial de guerrilheiro urbano – ou seja, um franco-atirador, uma categoria de combatente solitário indispensável em ações isoladas. O franco-atirador sabe como atirar, a pouca distância ou a longa distância e suas armas são apropriadas para qualquer tipo de disparo.

Espalhando o terror
[a guerrilha deve] provar sua combatividade, decisão, firmeza, determinação, e persistência no ataque contra a ditadura militar para permitir que todos os inconformes sigam nosso exemplo e lutem com táticas de guerrilha urbana. Enquanto tanto, o governo (…) [terá de retirar] suas tropas para poder vigiar os bancos, industrias, armarias, barracas militares, televisão, escritórios norte-americanas, tanques de armazenamento de gás, refinarias de petróleo, barcos, aviões, portos, aeroportos, hospitais, centros de saúde, bancos de sangue, lojas, garagens, embaixadas, residências de membros proeminentes do regime, tais como ministros e generais, estações de policia, e organizações oficiais, etc.
[a guerrilha deve] aumentar os distúrbios dos guerrilheiros urbanos gradualmente em ascendência interminável de tal maneira que as tropas do governo não possam deixar a área urbana para perseguir o guerrilheiro sem arriscar abandonar a cidade, e permitir que aumente a rebelião na costa como também no interior do pais

E assim vai leitor amigo. Todas as recomendações criminosas que vão acima caracterizam o crime de terrorismo, que a Constituição brasileira considera imprescritível.

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