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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Pensadores de programa: xucros à direita e à esquerda levam michê

Extrema direita mimetiza métodos da máquina suja montada pelo PT para difamar juízes, jornalistas, imprensa... E também vive de recursos não contabilizados

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 10 Maio 2017, 11h19 - Publicado em 10 Maio 2017, 06h05

No post acima deste, vou dar uma carraspana no juiz que suspendeu as atividades do Instituto Lula. É uma decisão arbitrária, ilegal. E aí a canalha se assanha.

Sei bem o ódio boçal que me tem devotado a direita xucra, que se somou ao rancor de sempre, secretado pela esquerda burra. Tudo isso é temperado pela gritaria de histéricos a soldo, que estão sendo financiados por políticos que decidiram surfar na crise. Batem no peito e atestam a própria moralidade, mas atuam no mercado da política e das ideias segundo a lógica dos que se compram e dos que se vendem. Cedo ou tarde, pagadores e recebedores serão desmascarados. E não me refiro a nenhuma determinação divina. Falo sobre as leis que são deste mundo mesmo.

No mês que vem, este blog completa 12 anos. Quem leu o que realmente escrevi — e não o que os pistoleiros a serviço do PT diziam ter eu escrito — sabe que não mudei de valores, de concepção, de lado. Continuo a ser um liberal. Isso implica algumas escolhas de ordem econômica e política. Numa democracia, o respeito ao estado de direito é o primeiro dever de um conservador. “Mesmo que ele nos impeça de prender petistas, Reinaldo Azevedo?” Bem, se você quer prender petistas ao arrepio do estado de direito, cumpre-me indagar por que você se acha melhor do que os alvos de seu ódio.

O que diz a esquerda energúmena
As leituras que fazem os extremos sobre as minhas opiniões seriam de fato engraçadas não fossem o retrato de uma tragédia cultural e educacional. Dia desses, um blogueiro de esquerda — sim, petista, lulista e puxa-saquista! — afirmou que eu só havia começado a criticar a Lava Jato e a defender Lula e o PT depois que os procuradores chegaram aos tucanos. Antes disso, eu teria batido palma para maluco dançar.

Bem, o arquivo está à disposição. Neste blog, na Folha e na Jovem Pan — meu trabalho na RedeTV! é mais recente —, apontei falhas, desmandos e savonarolices da operação quando esta se concentrava em petistas, pepistas e peemedebistas. Desde, portanto, os seus primeiros dias. O blog é antigo o bastante para alcançar outras operações. Não sou um adorador de Deltan Dallagnol como não fui do delegado Protógenes no passado — aquele herói que fugiu para a Suíça. Não sou um adulador de Sergio Moro como não fui do juiz Fausto de Sanctis, que chegou a me processar porque escrevi um texto debochando de sua gramática.

No dia 26 de junho de 2015, há quase dois anos, escrevi na Folha:

“(…) Não condescendo com arbitrariedades só para “pegar Lula”. Execro os “petralhas”, entre outros motivos, por seu pouco apreço às instituições. Repudio o “direito achado na rua”. Só reconheço o direito achado nas leis democráticas!

(…) Petistas e seus porta-vozes na imprensa também criticam Moro. As razões são diferentes das minhas. Temem que Lula seja preso. Se os alvos da vez fossem adversários, estariam dando de ombros. Como esquecer que eles e sua Al Qaeda eletrônica transformaram o delegado Protógenes em herói? O homem que queria prender jornalistas e colunistas até se elegeu deputado. Saí, então, em defesa da lei e da imprensa livre. E o fiz porque não sou nem covarde nem oportunista. Gente que contou, então, com o apoio do meu blog, e que o pediu, hoje me ataca. Procurem no arquivo. Está tudo lá.

(…)”

Não! Os grão-tucanos ainda não estavam na “Lista de Janot”. Os blogueiros petistas mentem. É uma vocação.

O que diz a direita energúmena
Curiosamente, a direita estúpida aponta a mesma coisa — sabem como é…  Sim, eu teria me insurgido contra desmandos da Lava Jato quando esta mirou nos tucanos. Parte da turma segue a orientação do professor de si mesmo, o grande sábio, aquele que conclamou os garçons a não servir café para Dilma para evidenciar que a revolução antipetista estava em marcha; aquele que flertou com golpe de estado — por um tempo apenas, é claro! Bem, os militares o consideram o que é: um “clown”.

Quando não é o decrépito que pisa em cocô de urso, aí é o psicopata explícito — a cada dia mais notório — a engrolar e a engolir palavras, de modo que fica evidente que seu fôlego é curto para a extensão da sua ignorância.

A serviço de quem está essa gente? Qual é o preço de tanta estupidez?

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Não! Alertei para os riscos que corria a Lava Jato desde o começo. Também na Folha, no dia 5 de junho de 2015, escrevi um texto chamado “Estado bandido. E absolvido”. Lá se lia:

“Também os safados têm de contar com a “virtù” e com a “fortuna”, com a disposição subjetiva para o crime e com as circunstâncias que lhes facultem cometê-lo. Esses príncipes da roubalheira que infelicitam o Brasil encontram na estrutura do Estado as condições necessárias, mas ainda não suficientes, para exercer o seu ofício. É preciso também que se respire uma esfera estatista, uma cultura do ódio à iniciativa privada, à empresa e ao lucro. Dados esses elementos, pronto! Esse país poderá continuar deitado eternamente em berço esplêndido. Seu apogeu coincidirá com a mediocridade.

No médio e no longo prazos, pior que o petrolão é o crime intelectual e moral que se está cometendo no Brasil. E a gama de culpados, nesse caso, é gigantesca, a começar da imprensa. Caímos no conto do vigário de que a Petrobras foi vítima de uma quadrilha e que não integra, ela própria, o grupo de malfeitores. Não há dúvida de que empreiteiros atuaram contra os interesses do país, buscando maximizar ganhos fora das regras do jogo. Ocorre que esse jogo tinha um juiz -e, no caso específico, era a própria estatal. Em sentido mais amplo, é o governo que manipula o aparato normativo do Estado.

(…)

Essa dependência mental do estatismo traz riscos efetivos. Como subproduto desse Estado absolvido e “vítima”, supostamente assaltado por homens maus, o país ficou a um passo -e ainda está sob ameaça- de ver proibida a doação de empresas privadas a campanhas eleitorais.

(…)

O fato de a vida pública brasileira não se distinguir de casos de polícia -e isso só acontece em razão do gigantismo estatal- nos levou ao abandono do debate político e de seus marcos. Um bom jornalista da área pode dispensar Maquiavel como fonte. Mas terá de apelar necessariamente a delegados e procuradores que vazem informações.

Não sairemos facilmente da lama.”

Concluo
O que eu antevia, então, é que a Lava Jato estava caminhando para a demonização da política e dos políticos, mas para a santificação de um estado forte, que não está obrigado a seguir nem mesmo as leis.

Oh, minhas caras, meus caros! Eu me orgulho muito do que escrevi, do que tenho escrito, do que escrevo. Com bola de cristal que realmente funcionasse, eu não teria conseguido ser mais preciso.

Sabem por que escrevo o que quero, penso o que quero, digo o que quero?  Porque não tenho nhonhô a quem prestar contas. Não tenho “um senhor que me ajuda”. Não vivo de recursos não contabilizados. “Isso significa, Reinaldo, que há gente por aí que está ganhando uma grana fazendo michê ideológico?”

Sim, quer dizer.

A direita rombuda mimetiza os métodos da máquina suja montada pelo PT, no auge do seu delírio de poder, para difamar jornalistas, magistrados e veículos de comunicação.

São tão iguais, mas tão iguais, que até alguns alvos são os mesmos, a exemplo do ministro Gilmar Mendes. E, por que não dizer?, a exemplo de Reinaldo Azevedo.

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