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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Outro depoimento também sugere o assalto de uma máfia, não um cartel

No post anterior, dado o depoimento de Pedro Barusco, contesto a tese do cartel. E o homem, note-se, fez acordo de delação premiada. Querem outro delator que também será beneficiado apenas se falar a verdade? O lobista Júlio Gerin Camargo. Ele disse, em depoimento nesta terça,  que repassou dinheiro ao PT a pedido de João […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 01h01 - Publicado em 1 jul 2015, 22h49

No post anterior, dado o depoimento de Pedro Barusco, contesto a tese do cartel. E o homem, note-se, fez acordo de delação premiada. Querem outro delator que também será beneficiado apenas se falar a verdade? O lobista Júlio Gerin Camargo. Ele disse, em depoimento nesta terça,  que repassou dinheiro ao PT a pedido de João Vaccari Neto. Prestemos atenção a suas palavras, segundo revela o Estadão :
“O doutor Vaccari me procurou nos anos de 2008, 2010 e 2012 dizendo que precisava de doações, como todo partido precisa, e se eu podia ajudar e cooperar. E, evidentemente, era o interesse meu, que obtinha sucesso com os contratos (da Petrobrás), de estar evidente favorável ao poder”, afirmou Camargo, em depoimento na tarde desta terça-feira, 30, em Curitiba.

O procurador Roberson Pozzobon quis saber se os pedidos de doação feitos pelo PT estavam explicitamente associados às obras da Petrobras. Disse Camargo:
“O PT era e é o partido do governo. E o partido que nomeava então seus diretores na Petrobrás, ou então, quando eram indicados por outros partidos, o PT, no final, ou a presidente da República, tinha que aprovar esses nomes. Então, evidentemente, fazia parte de um lobby você estar bem com o partido.”

Ah, sim: segundo ele, Vaccari nunca fez referência explícita aos contratos. Mas convenham, né? Há coisas que são desnecessárias. De resto, por que tanta intimidade de Vaccari com empreiteiros? Claro, por sí, não é um crime. No contexto, compõe uma narrativa.

Com outro petista, Renato Duque, ex-diretor de Serviços, aí a coisa era mais arreganhada mesmo, segundo Camargo:
“Duque me disse que fazia uma arrecadação que envolvia a parte política e parte para o pessoal da Casa.” Ele disse ter se encontrado algumas vezes com Duque e Vaccari em restaurantes. Confirmou ainda o que já se sabia: a diretoria de Serviços era cota do PT. Segundo o delator, fez depósitos no exterior e também no Brasil.

É a uma estrutura que funciona desse modo que se chama cartel? Não! Isso caracteriza uma máfia partidária que tomou conta do Estado e passou a exercer os instrumentos de que dispõe a ordem legal para impor ilegalidades.

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