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MAIS ALGUMAS CONTRIBUIÇÕES DE LULA AO APURO RETÓRICO NACIONAL

Abaixo, alguns trechos de falas presidenciais extraídos do Dicionário Lula, de Ali Kamel. Agora entendo o que Marilena Chaui quis dizer numa entrevista ao afirmar que, quando Lula fala, o mundo se ilumina. MERDA Ou ao defender seu programa de saneamento básico: Pense num “cabra” [o próprio Lula] que, um dia, saiu dessa rua Auriverde e […]

Abaixo, alguns trechos de falas presidenciais extraídos do Dicionário Lula, de Ali Kamel. Agora entendo o que Marilena Chaui quis dizer numa entrevista ao afirmar que, quando Lula fala, o mundo se ilumina.

MERDA
Ou ao defender seu programa de saneamento básico:
Pense num “cabra” [o próprio Lula] que, um dia, saiu dessa rua Auriverde e foi morar na rua Verão, numa casa nova, com cheiro de tinta, em junho de 1963. E, em janeiro de 1964, acordou à meia-noite, com rato disputando espaço com barata, com merda boiando na ponta do nariz, com água batendo no colchão, e teve que se levantar à noite para levantar o colchão, para levantar a mãe, para tirar as irmãs. (12/7/07, Recife – PE. Lançamento do PAC nas áreas de saneamento e urbanização no estado de Pernambuco)

Ao defender o Programa de Aceleração do Crescimento:
Só é contra quem não sabe o que é carregar uma lata d’água na cabeça por quatro ou cinco léguas. Só é contra quem não sabe o que é pegar um pote d’água cheio de barro, de merda de animal, de caramujo, levar para dentro de casa, colocar para assentar e ficar tomando aquela água barrenta cheia de caramujo para pegar doença, para apodrecer os dentes, para pegar vermino­se. Então, quem tem água Perrier na geladeira pode até ser contra. (27/7/07, Natal – RN. Lançamento do PAC Saneamento e Urbanização no estado do Rio Gran­de do Norte)

COCÔ
Ou ao defender a transposição das águas do São Francisco:
Vou fazer porque sei o que é ir buscar água num açude e ficar separando cocô da água – cocô de cavalo, cocô de cabrito – para pegar água numa canequinha, colocar num pote, deixar assentar, para depois, no dia seguinte, tomar um me­tro de barro dentro da água com caramujo. Eu sei, porque eu já bebi; sei porque já fui buscar água em açude. (11/2/05, Caruaru – PE. Inauguração da Clínica Asa Branca, do Programa Brasil Sorridente)

FEZES
Ao defender a criação do Fundo de Habitação Social:
Eu li um livro muito importante chamado Geografia da Fome, um livro pro­duzido pelo Josué de Castro em 1946, se não me falha a memória, em que ele descreve a vida do cidadão que mora na palafita, em que ele comia as próprias fezes porque fazia um buraco, criava o caranguejo, defecava ali, o carangue­jo comia e ele comia o caranguejo, a história é mais ou menos essa. (23/3/06, Brasília – DF. 16.ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social – CDES)

FEDENTINA, ESGOTO
Ao defender o seu programa de obras para baixa renda:
Quero dizer para vocês que essas obras que nós estamos aqui assinando contrato com o Governo e com a prefeitura certamente são o início da mudança da cara da periferia de Fortaleza. As mulheres pobres deste país não são obrigadas a levantarem todo dia, abrirem a porta e cheirar uma fedentina de esgoto a céu aberto de rios podres na frente das suas casas. (28/2/08, Fortaleza – CE. Assinatura de atos de saneamento e habitação do PAC)

RATOS, BARATAS
Ou ao defender o seu programa de combate à fome:
Eu me lembro de que, uma vez, no sindicato, nós denunciamos que os trabalhadores comiam rato na favela do Alves Dias. Foi um escândalo. A pessoa lia o jornal e achava que a gente era xiita: “Onde já se viu dizer que as pessoas comem rato?” E comiam. Em Quipapá, Pernambuco, quando fui pela primeira vez, com Jarbas Vasconcelos [governador de Pernambuco], Marcos Freire [po­lítico pernambucano, já falecido] e Cristina Tavares [política pernambucana, já falecida], entramos numa casa que tinha uma família comendo rato. E não era preá, era rato mesmo. (25/3/03, Brasília – DF. Discurso no Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – Consea)

Ou ao defender a necessidade de investimentos nas regiões metropolitanas:
Então nós resolvemos, em vez de espalhar o dinheiro por todo o território nacional, centrar o dinheiro nas grandes cidades brasileiras, que é onde tem os maiores problemas, tem mais criminalidade, tem mais tráfico de droga, tem mais gente apinhada, às vezes crianças repartindo três metros quadrados com rato, com barata e com esgoto a céu aberto. (21/6/07, Belo Horizonte – MG. Visita às obras do projeto Vila Viva Aglomerado da Serra)

SARNA, PIOLHO
Ao defender a recriação da Sudene:
A Sudene que durante muito tempo foi responsável por 60% de todo o ICMS arrecadado no Nordeste brasileiro. E ela deixou de cumprir as suas funções para com o Nordeste quando os governantes deixaram de cumprir as suas funções com o Nordeste. Porque não é possível que uma mãe descubra que uma criança está com sarna ou com piolho e resolva jogar a criança fora, junto com a água. (30/4/08, Brasília – DF. Lançamento da carteira de trabalho informatizada e do Cartão de Identificação do Trabalhador)

BUNDA
Ao defender a criação de escolas técnicas:
O formado tem facilidade de arrumar emprego e tem facilidade de ganhar um salário melhor. O não formado bota a carteira no bolso da bunda, anda dias e meses atrás de um emprego e ninguém pega o emprego, e quando pega é para ganhar um salário mínimo ou, às vezes, só arruma emprego terceirizado. (9/5/08, Ilhéus – BA. Lançamento do Plano de Aceleração do Desenvolvimento e de Diversificação Agrícola na Região Cacaueira do estado da Bahia)

ÚTERO PERFURADO
Ao defender a atenção do Estado para o drama de adolescentes grávidas:
Eu conheço casos de meninas que perfuraram o útero com agulha de fazer tri­cô. Eu conheço casos, na Bahia e em outros estados do Nordeste, em que meni­nas colhiam fuligens no fogão de lenha, achando que aquilo poderia resolver o problema da sua gravidez. (7/5/07, Brasília – DF. Entrevista à Rede Católica de Rádio, no Palácio do Planalto)

Ao defender seu programa habitacional:
Quem mora numa grande cidade ou numa cidade média, fora do mangue, simplesmente não conhece o que é uma palafita. Mas eu já vi mulher com uma estaca de pau grudada na costela, que perfurou o seu útero e matou o seu filho. É o tipo de moradia mais degradante que pode existir. (11/3/03, Brasília – DF. Encontro com prefeitos – VI Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios)

PONTO G
Ao falar de um possível acordo com George Bush em relação à rodada de Doha:
Nós já conversamos muito sobre a rodada de Doha ao longo desses últimos meses e nós estamos andando com muita solidez para encontrar a possibilidade, com o chamado ponto G, de fazer um acordo. (9/3/07, São Paulo – SP. Declaração à imprensa após almoço de trabalho sobre biocombustível com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush)

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