Lulécio, Lulônio e Lucássio na Veja
Ainda na Veja desta semana, na reportagem de Marcelo Carneiro e José Edward, intitulada “Morre o petismo, nasce o lulismo”: “Ao soterrar o petismo, desmoralizar parte do Legislativo e expor a fragilidade das oposições, o escândalo do mensalão ajudou a abrir espaço para surgimento de um novo fenômeno no cenário político brasileiro: o lulismo”. Faz-se […]
Ainda na Veja desta semana, na reportagem de Marcelo Carneiro e José Edward, intitulada “Morre o petismo, nasce o lulismo”: “Ao soterrar o petismo, desmoralizar parte do Legislativo e expor a fragilidade das oposições, o escândalo do mensalão ajudou a abrir espaço para surgimento de um novo fenômeno no cenário político brasileiro: o lulismo”. Faz-se em seguida o elenco das alianças brancas heterodoxas que estariam em curso, o que traria à luz derivações teratológicas como “Lulécio” (Lula mais o tucano Aécio Neves) e Lucássio (cabeça de Apedeuta com corpinho do tucano paraibano Cássio Cunha Lima). Já o “Lulônio” fundiria o petista na Presidência com o senador Teotonio Vilela Filho no governo de Alagoas. Sim, ele também é do PSDB. Seu pai dá nome ao Instituto Teotônio Vilela, um quase think tank do partido. A mistura traz bichos ainda mais exóticos do que ornitorrinco, equidna e galeopiteco (colecionei Os Bichos quando moleque). Seria uma prova de que Lula se move acima dos partidos, o que seria a evidência de um novo fenômeno político. A reportagem é boa, com muitos dados, merece ser lida, mas a tese é furada. O PT continua a ser o que sempre foi. Apenas incorporou o cinismo em seu discurso oficial. José Dirceu, por exemplo, continua a se mover, mais poderoso do que antes, porque agora ninguém lhe dá bola, o que é ótimo para o seu ramo. O partido está e continuará incrustado nas estatais, nos Três Poderes da República, nos fundos de pensão e nas festinhas de aniversário. Lula é apenas uma personalização midiática do Moderno Príncipe. Se a tese da reportagem estivesse certa, Lulécio, Lucássio e Lulônio seriam saídas espertas. Mas não são. Provam apenas que as oposições ainda não cansaram de sua própria estupidez. Nessa marcha, serão engolidas pelo PT. Uma prova a mais de estupidez, de falta de clareza, de falta de método.






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