Mas o que quer o PSDB?
O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador eleito de Minas Aécio Neves, ambos do PSDB, se reuniram para debater o futuro do PSDB, do país etc. (ver abaixo). A conversa é sempre oportuna. Há dias, representantes do partido dos dois estados andaram se bicando. No que concerne à disputa federal, os […]
O governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o senador eleito de Minas Aécio Neves, ambos do PSDB, se reuniram para debater o futuro do PSDB, do país etc. (ver abaixo). A conversa é sempre oportuna. Há dias, representantes do partido dos dois estados andaram se bicando. No que concerne à disputa federal, os maiores inimigos dos tucanos têm sido os tucanos. Quando conseguem alguma unidade nos estados, o resultado é bom. O PSDB é o partido que elegeu, por exemplo, o maior número de governadores.
A conversa é boa, mas tudo está um tantinho confuso, como se percebe. Ao mesmo tempo em que se fala de uma oposição “propositiva”, há o tal flerte com a “refundação” do partido, seja lá o que isso signifique. Aécio, por exemplo, acredita que a tarefa dos novos prolegômenos deva ficar para FHC e Tasso Jereissati, que já anunciaram que não disputarão mais cargo nenhum, e para José Serra, que não anunciou nada disso. O modelo vem lá das ancestralidades, do tempo em que havia o Conselho de Anciãos da tribo para lembrar aos moços os valores dos antepassados. Não me parece que nenhum dos três se encaixe no perfil. Mas vá lá.
Eu estou entre aqueles que acreditam que uma oposição deva, sim, ser propositiva. O que me pergunto é se o PSDB tem sido outra coisa ao longo desses oito anos. Tem? Acho que não! O contrário seria a oposição destrutiva? Acho que não. Precisa é ser clara e presente, o que não tem acontecido. O Câmara dos Deputados aprovou, em votação final, na semana passada, o regime do pré-sal, com a instituição do regime de partilha. Não se ouviu um pio do PSDB, que é mais forte hoje no Congresso hoje do que será a partir de 2011. Por que não falou? Não falou por quê? O mais formidável é que se abandona um regime, o de concessão, que é sucesso comprovado. Por quê?
Não sou tucano, como todo mundo sabe. Eles são “progressistas” demais para o meu gosto. Mas acho a alternância de poder uma virtude e, por isso, me ocupo deles. Eu tomo como referência as grandes democracias do mundo. Em todas elas, existe oposição claramente definida. Nenhuma delas precisa provar para tribunal nenhum, especialmente o do governismo, que é “propositiva”. A grande proposição de uma oposição é, no fim das contas — e desculpo-me pela tautologia — opor-se. Sua função não é apresentar propostas para o governo, mas para a sociedade. Governo governa, e oposição se opõe. Essa invenção da democracia tem valor universal.
Noto, para encerrar, que o próprio PT faz “oposição propositiva” a si mesmo — o país nem precisa do PSDB para isso. Tomem como exemplo a entrevista de Dilma Rousseff ao Washington Post. Pronto! Agora ela também é uma crítica das posições que o governo brasileiro tem assumido em relação ao Irã. E há quem não seja. O partido está lá e cá. A depender do que seja essa “proposição” tucana, a atuação da legenda vai apenas ser diluída na voragem de um Congresso onde o governismo tem maioria esmagadora. Vamos ver.





