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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

LULA E OS ESQUELETOS

Lula concedeu uma entrevista a uma emissora de rádio em Aracaju. Indagado se vetaria ou não o reajuste de 7,72% concedido aos aposentados que ganham mais de um salário mínimo, afirmou o que segue, dando a entender que poderia vetar a proposta: “Estou pagando quase R$ 7 bilhões por ano de esqueleto na Previdência por […]

Por Reinaldo Azevedo 10 jun 2010, 22h37 | Atualizado em 31 jul 2020, 15h06
LULA E OS ESQUELETOS Priorizar nos meus resultados Google

Lula concedeu uma entrevista a uma emissora de rádio em Aracaju. Indagado se vetaria ou não o reajuste de 7,72% concedido aos aposentados que ganham mais de um salário mínimo, afirmou o que segue, dando a entender que poderia vetar a proposta:

“Estou pagando quase R$ 7 bilhões por ano de esqueleto na Previdência por causa do Plano Bresser, por causa do Plano Verão, por causa do Plano Collor, por causa do plano não sei das quantas. Não quero deixar esqueleto. Quero fazer as coisas acontecerem da melhor maneira possível e não quero comprometer quem vier depois de mim. Quero que pegue um País mais acertado e com muito mais expectativa e esperança. Portanto não brincarei em serviço”.

Excelente que assim seja. Apenas cumpre lembrar que todos os planos econômicos — e isso vale até para o de seu atual aliado Fernando Collor — buscavam responder a um desequilíbrio que tinha se tornado estrutural da economia brasileira: a inflação. Não se tratava de perversidades de homens naturalmente maus, mas de tentativas — eventualmente honestas e desastradas — de responder à questão. Uma coisa é certa: a resposta do PT nos empurraria para a taba.

Até que veio o Plano Real, e uma engenharia realmente única conseguiu acabar com o principal imposto que havia no Brasil: a inflação — especialmente perversa para os pobres porque tinham menos condições de se defender.

Manter o Plano Real não foi tarefa fácil. Custou, em determinados momentos, alguns sacrifícios, inclusive do governo, que não pôde olhar para a sua curva de popularidade ao tomar decisões. Foi preciso enfrentar as falanges petistas, que gritavam, como celeradas, que o Proer, por exemplo, era mamata para banqueiro. E FHC pôde passar adiante a faixa sem o esqueleto da inflação, que passara a assombrar o país desde a crise mais aguda do “modelo” que havia vigorado no regime militar, no governo João Figueiredo. Esqueleto que foi se agigantando no período da redemocratização.

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Não custa lembrar que, um ano antes de chegar ao poder, Lula liderava o seu partido reivindicando que o governo FHC concedesse um reajuste de 70% ao funcionalismo público federal. O tucano resolveu não meter esse esqueleto no armário. E os petistas aproveitaram para jogar os servidores contra o tucano. Aquilo tudo virou voto.

Por que escrevo isso? Apenas porque é verdade. Nada mais. Que me importa se é o tipo de verdade que não tem apelo junto às massas? Não escrevo para ser querido. Escrevo o que acho que devo escrever.

Lula disse mais:
“As pessoas, muitas vezes, pensam que votar facilidades, votar benesses, ajuda eleitoralmente. Não ajuda (…). O povo está compreendendo que o momento que o Brasil está vivendo é outro, e não se pode perder a seriedade com a estabilidade econômica, com o controle da inflação e com o crescimento sustentável que nós queremos para 10 ou 15 anos”.

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Por quê? Houve momentos em que a irresponsabilidade era aceitável e bem-vinda? Seriam aqueles em que o PT tentou derrubar o Plano Real, em que recorreu contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, em que se opôs às privatizações, em que tentou derrubar o Proer? E tudo em nome das tais “facilidades”?

“Ah, Reinaldo, não adianta escrever essas coisas. Ele continuará com 8.737% de popularidade”. A popularidade de Lula não muda a história. Pode, no máximo, mudar a narrativa dos historiadores interessados.

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